Fernando Cerimedo, preso na Bolívia, teria dito que atuaria por Flávio Bolsonaro
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O consultor político argentino Fernando Cerimedo, preso na Bolívia desde 18 de agosto sob acusação de ser o mandante da tentativa de homicídio contra a ex-companheira, a advogada Nadia Beller, teria dito a ela que atuaria pelo senador Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026. O relato é dela, em entrevista por videoconferência. Cerimedo nega envolvimento no atentado, e integrantes da campanha do senador afirmam, reservadamente, que o consultor não tem relação com a candidatura. Não houve resposta oficial até a publicação das reportagens.
O caso expõe, na leitura da esquerda, a engrenagem transnacional de desinformação que sustenta a direita radical na América Latina e que agora ameaça contaminar a eleição brasileira de 2026. Um operador de fazendas de robôs, indiciado no inquérito do golpe, amigo de Eduardo Bolsonaro e preso sob acusação de mandar matar a ex-companheira grávida, teria sinalizado disposição de trabalhar pela candidatura de Flávio Bolsonaro.
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As duas coberturas disponíveis partem do mesmo conjunto factual: Fernando Cerimedo está preso preventivamente na Bolívia por 180 dias, acusado de ser o mandante do atentado contra Nadia Beller; ele nega o crime; a defesa sustenta que o ataque teria sido encenado; e a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu oficialmente, mas nega vínculo de forma reservada.
O consultor político argentino Fernando Cerimedo está preso na Bolívia, acusado de mandar matar a ex-companheira grávida, a advogada Nadia Beller. Em entrevista, ela afirma que ele disse que lutaria pelo senador Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026 e que mantém amizade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A campanha do senador nega qualquer vínculo com o consultor.
O consultor político argentino Fernando Cerimedo, preso na Bolívia desde 18 de agosto sob acusação de ser o mandante de uma tentativa de homicídio, teria dito à ex-companheira, a advogada Nadia Beller, que atuaria pelo senador Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026. O relato foi feito pela própria Nadia em entrevista por videoconferência concedida em 25 de agosto, poucos dias depois de ela sobreviver a uma emboscada em frente a um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Grávida, ela foi baleada na noite de 17 de agosto por dois homens vestidos como entregadores, passou por cirurgia e teve alta. Cerimedo nega envolvimento no crime.
Segundo o relato, ao ser perguntado se Flávio Bolsonaro tinha alguma chance de vencer a disputa, o consultor respondeu que estava difícil, mas que eles iriam lutar. A entrevistada afirma ter entendido, na hora, que ele se referia a ajudar a candidatura do filho de Jair Bolsonaro, anunciada pouco antes. Procurada com três perguntas objetivas sobre eventual contato com o consultor, a campanha do senador não deu resposta oficial até a publicação. Reservadamente, integrantes da equipe afirmam que Cerimedo não tem qualquer relação com a candidatura.
A cobertura de centro relatou o caso a partir da apuração direta, com atribuição estrita de cada afirmação e registro completo dos atos processuais: as notas e mensagens encontradas no celular do consultor levaram o Ministério Público da Bolívia a acusá-lo como mandante, a Justiça boliviana autorizou prisão preventiva de 180 dias e outros aparelhos eletrônicos ainda serão periciados. Em batida a propriedades ligadas a ele, investigadores dizem ter localizado mais de 40 mil dólares, equivalentes a cerca de 206 mil reais, e uma estrutura descrita como minifazenda de robôs, conjunto de dispositivos digitais operados de forma automatizada para amplificar conteúdos nas redes sociais. O consultor passou a ser investigado também por enriquecimento ilícito.
Veículos de esquerda destacaram o encadeamento entre esse aparato digital e a política brasileira. Cerimedo já havia admitido, em entrevista a um jornal argentino em 2023, usar contas automatizadas para interferir em algoritmos e criar relevância artificial. Depois da vitória de Lula no segundo turno de 2022, fez transmissões e publicações afirmando que as eleições brasileiras haviam sido fraudadas, alegações desmentidas por especialistas que analisaram os dados. Ele foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito do golpe, embora não tenha entrado na denúncia da Procuradoria-Geral da República. No fim de julho deste ano, voltou a levantar suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro em transmissão ao vivo com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, descrito pela entrevistada como amigo muito querido do consultor. Os dois se encontraram nos Estados Unidos no início de agosto, e ela afirma que ele mencionou a possibilidade de irem juntos a Israel, viagem que o consultor de fato fez, sem que ela soubesse o motivo.
Há pontos em que os relatos não convergem, e a contestação vem da própria defesa. A advogada de Cerimedo afirmou a uma rádio argentina que o atentado teria sido autoinfligido e orquestrado para incriminar o cliente, próximo do presidente boliviano Rodrigo Paz, a quem assessora sem cargo oficial. Em carta aberta, o consultor negou que a estrutura apreendida fosse uma fazenda de robôs e disse que eram modems móveis guardados em caixas, sem uso ilegal. Veículos de direita não publicaram cobertura própria do episódio até o momento, de modo que a leitura conservadora aparece apenas de forma indireta, pela negativa reservada da campanha e pela ênfase, típica desse campo, na presunção de inocência de quem está preso preventivamente e ainda não foi julgado.
O que ainda não se sabe é justamente o núcleo da controvérsia. Não há documento, contrato ou pagamento que comprove atuação do consultor na campanha presidencial brasileira deste ano, e a própria entrevistada afirma desconhecer se ele e Eduardo Bolsonaro concretizaram algo em matéria eleitoral. Também seguem em aberto o motivo da viagem a Israel, o resultado da perícia nos demais aparelhos apreendidos e o desfecho do processo boliviano, com prazo de prisão preventiva que vai até o início de 2027. A afirmação de que a estrutura de contas automatizadas teria sido usada no Brasil em 2022 permanece apoiada em uma única fonte, sem confirmação independente.
A polícia boliviana encontrou uma fazenda de bots em endereço conectado ao consultor político Fernando Cerimedo, preso por tentativa de feminicídio.

(Folhapress) - O consultor político argentino Fernando Cerimedo, que já admitiu ter usado robôs em campanhas eleitorais da direita radical na América Latina,

Preso na Bolívia acusado de mandar matar namorada grávida, Cerimedo fez lives com desinformação sobre eleição brasileira em 2022 e chegou a ser indiciado pela PF
