Banco Central e FGV apontam perda de ritmo da economia após junho negativo
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Dois indicadores divulgados em 17 de agosto de 2026 mostraram perda de ritmo da economia brasileira. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, recuou 0,6% em junho ante maio, e o Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas apontou queda de 1,1% no mesmo mês. Apesar do resultado negativo de junho, o segundo trimestre fechou positivo: alta de 0,2% pelo cálculo do Banco Central e de 0,3% pelo da FGV, contra 1,2% e 1% no primeiro trimestre. Em 12 meses, o IBC-Br acumula 1,5% e o Monitor do PIB, 1,8%. O dado oficial do trimestre será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1º de setembro.
A desaceleração medida pelo Banco Central e pela Fundação Getulio Vargas tem um responsável identificável na leitura de esquerda: o juro real mais alto do mundo. Com a Selic ainda em 14% ao ano depois de quatro cortes seguidos de apenas 0,25 ponto percentual, o crédito segue caro, o endividamento das famílias segue elevado e a indústria — a atividade que mais emprega com carteira assinada — foi justamente a que mais caiu em junho, 1,4%.
Para a leitura de direita, os números do Banco Central e da Fundação Getulio Vargas mostram uma economia que perde tração porque o modelo se esgotou. O crescimento despencou de 1,2% no primeiro trimestre para 0,2% no segundo pelo IBC-Br, a indústria caiu 1,4% em junho e, excluída a agropecuária, a retração chega a 0,9%: o que segura o país é o setor externo, o agro e o petróleo, não a produtividade doméstica.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados aceitam os mesmos números: a atividade econômica caiu em junho, a indústria foi o setor de pior desempenho, o segundo trimestre ainda fechou positivo e o ritmo de crescimento é bem menor que o do primeiro trimestre. Ninguém contesta a metodologia do Banco Central nem a da Fundação Getulio Vargas, e ninguém fala em recessão a partir dos dados divulgados.
Banco Central e Fundação Getulio Vargas divulgaram no mesmo dia prévias que apontam perda de ritmo da economia brasileira: queda da atividade em junho e crescimento próximo de zero no segundo trimestre, contra alta de cerca de 1% nos três meses anteriores. O resultado oficial do PIB sai em 1º de setembro, e a leitura sobre a causa da desaceleração divide as coberturas.
A economia brasileira perdeu ritmo no segundo trimestre de 2026. Dois indicadores divulgados na mesma segunda-feira, 17 de agosto, apontaram na mesma direção. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, recuou 0,6% em junho na comparação com maio, considerando a série dessazonalizada. O Monitor do PIB, prévia calculada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, registrou queda de 1,1% no mesmo mês. Apesar do resultado negativo de junho, os dois levantamentos fecham o trimestre no campo positivo: alta de 0,2% pelo cálculo do Banco Central e de 0,3% pelo da FGV.
O contraste com o começo do ano é o dado central da história. No primeiro trimestre, o IBC-Br havia crescido 1,2% e o Monitor do PIB, 1%. O ritmo, portanto, caiu para menos de um terço em três meses. Em 12 meses, o índice do Banco Central acumula alta de 1,5% e o da FGV, 1,8%. O resultado oficial do trimestre de abril a junho só sai em 1º de setembro, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga o Produto Interno Bruto; no primeiro trimestre, o número oficial foi de crescimento de 1,1%.
A abertura setorial é convergente em toda a cobertura. Em junho, a indústria recuou 1,4% em relação a maio e os serviços caíram 0,5%, enquanto a agropecuária avançou 1%. O próprio Banco Central informou que, excluída a agropecuária, o IBC-Br teria retração de 0,9% no mês. Pelo lado da demanda, os dados da FGV mostram consumo das famílias em alta de 2,6% no trimestre, exportações em alta de 4,5%, importações em alta de 5,7% e Formação Bruta de Capital Fixo, medida dos investimentos em máquinas, equipamentos e construção, com avanço de 1,6%. A taxa de investimento ficou em 18,5%, ante 18,6% no trimestre anterior. Em valores correntes, o PIB do primeiro semestre é estimado em R$ 6,557 trilhões.
O pano de fundo é a política monetária. No início de agosto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta reunião seguida, levando a taxa básica de juros a 14% ao ano, e manteve os próximos passos em aberto, afirmando que preservará a restrição adequada para levar a inflação à meta. O boletim Focus, sondagem semanal do Banco Central junto a instituições financeiras, projeta crescimento de 1,98% para 2026. O Ministério da Fazenda trabalha com 2,3%.
As coberturas divergem menos nos números do que na moldura. Veículos de esquerda ficaram no registro institucional dos dados do Banco Central, reproduzindo o índice e sua abertura setorial sem interpretar o resultado como derrota ou vitória de governo, e deixaram implícito que o freio vem do custo do crédito. A cobertura de centro foi a que mais contextualizou: comparou o número com a expectativa dos analistas, lembrou que março e junho foram os únicos meses de contração no ano, citou economistas de instituições financeiras que atribuem a moderação aos efeitos defasados da política monetária restritiva, à guerra no Oriente Médio e às tarifas dos Estados Unidos, e registrou que mercado de trabalho sólido e medidas de incentivo do governo ainda sustentam o consumo. Veículos de direita enfatizaram a perda de ritmo em si, detalharam a queda em máquinas e equipamentos e a taxa de investimento, e deixaram de fora tanto o corte recente da Selic quanto a ressalva feita pela coordenadora da pesquisa da FGV, Juliana Trece, de que o período de abril a junho é o vigésimo trimestre consecutivo com resultado positivo.
Há ainda uma divergência de escolha de indicador. A cobertura de esquerda e parte da de centro trataram o IBC-Br como o fato do dia; a de direita construiu a matéria inteira sobre o Monitor do PIB da FGV, sem mencionar o índice do Banco Central. Como os dois medem a mesma economia com metodologias diferentes, a queda de junho aparece como 0,6% em um recorte e 1,1% em outro.
O que ainda não se sabe é se a desaceleração se confirma no dado oficial. Nenhuma das coberturas afirma qual dos dois indicadores estará mais próximo do PIB que o IBGE divulga em 1º de setembro. Também não há informação sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária, que deixou os passos seguintes em aberto, nem sobre até onde a Selic pode cair neste ciclo, ponto em que as estimativas citadas pelas fontes de mercado divergem da taxa atual. E nenhuma fonte mensurou o tamanho exato do efeito das tarifas dos Estados Unidos e do preço do petróleo sobre os números do trimestre.
Setor de serviços também apresentou resultado negativo, com recuo de 0,5%. Já a agropecuária avançou 1% no período.
Monitor do PIB da FGV aponta recuo de 1,1% em junho para a economia brasileira, porém o PIB do segundo trimestre avançou 0,3% com o consumo.

Consumo das famílias avança 2,6% no período, conforme dados da FGV

IBC-Br tem queda de 0,6% na comparação com maio, sendo o segundo mês de contração no ano
