
Augusto Cury nega compra dos 2 milhões de seguidores e vai a 11% nas pesquisas
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O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, ganhou mais de 2 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias e saltou nas pesquisas de intenção de voto, chegando a 11% nos levantamentos BTG/Nexus e Real Time Big Data e a 7,8% na AtlasIntel. Campanhas adversárias suspeitam de pagamento irregular a influenciadores e avaliam acionar o Tribunal Superior Eleitoral. A equipe do candidato nega e afirma ter investido entre R$ 20 mil e R$ 50 mil na campanha digital.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, ganhou mais de 2 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias e saltou nas pesquisas de intenção de voto, chegando a 11% nos levantamentos BTG/Nexus e Real Time Big Data e a 7,8% na AtlasIntel.
Direita
Augusto Cury cresceu nas redes e nas pesquisas oferecendo um discurso de pacificação a um eleitorado cansado da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, e a reação imediata dos adversários foi ameaçar levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Texto de apresentação de episódio de podcast, descritivo e sem vocabulário valorativo. Apresenta o candidato pelo currículo, cita o levantamento do Instituto Democracia em Xeque e dá espaço a especialistas para explicar o fenômeno, sem julgar o mérito da candidatura.
Perspectivas omitidas
Reportagem factual e multifonte: traz números do levantamento, resultados de três pesquisas, resposta do marqueteiro e do próprio candidato, e análise de cientista político da UFRJ. O tom cético em relação à espontaneidade e a comparação com um esquema anterior de impulsionamento carregam algum enquadramento, mas o texto mantém paridade entre acusação e defesa.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Cobertura de declaração com registro direto e contexto de três pesquisas nomeadas. Reproduz as respostas do candidato às críticas de adversários sem endossá-las nem qualificá-las, mantendo vocabulário neutro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
A estrutura privilegia a defesa: a suspeita aparece atribuída a fontes anônimas de campanhas rivais, enquanto a réplica do candidato ocupa a maior parte do texto em citação direta e longa. O enquadramento de accountability recai sobre quem acusa, não sobre quem é acusado, padrão característico da cobertura à direita.
Perspectivas omitidas
Em duas semanas, o candidato do Avante à Presidência somou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram e saltou de 2% para 11% nas pesquisas de intenção de voto. Campanhas adversárias suspeitam de propaganda paga a influenciadores e avaliam acionar a Justiça Eleitoral; Augusto Cury diz que o movimento foi espontâneo e que investiu entre R$ 20 mil e R$ 50 mil.
O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo Avante, tornou-se em poucos dias o principal fenômeno digital da campanha de 2026. Entre 16 e 29 de agosto, ele ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, número muito acima do registrado por Flávio Bolsonaro, por Renan Santos e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo período, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque. O pico ocorreu em 27 de agosto, com 1,2 milhão de novos seguidores em um único dia.
O movimento se refletiu nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento BTG/Nexus divulgado em 31 de agosto, Cury apareceu em terceiro lugar com 11%, um salto de nove pontos em relação à semana anterior, atrás de Lula e de Flávio Bolsonaro. No dia seguinte, a Real Time Big Data também registrou 11% para o candidato do Avante, com Lula em 38% e Flávio em 30%. A AtlasIntel apontou 7,8%, em empate técnico com Renan Santos na terceira posição.
A cobertura de centro relatou os dois lados do episódio com o mesmo peso: de um lado, os números do crescimento e o efeito nas pesquisas; de outro, a desconfiança de campanhas adversárias, que suspeitam de pagamento irregular a influenciadores e avaliam ingressar com ação no Tribunal Superior Eleitoral. A legislação eleitoral proíbe a contratação de pessoas físicas ou jurídicas para fazer propaganda de candidatos na internet. A apuração jornalística verificou que várias das páginas que passaram a divulgar o número de urna do candidato não tinham qualquer histórico recente de publicações sobre política, e incluiu perfis de estilo de vida, entretenimento e fofoca. O mesmo tipo de rede já havia sido identificado antes em impulsionamento irregular de conteúdo favorável a outras figuras políticas.
Veículos de direita enfatizaram a resposta do candidato. Cury classificou como absurda a hipótese de compra de seguidores, invocou o próprio histórico profissional e disse aceitar a investigação. Afirmou ter investido entre R$ 20 mil e R$ 50 mil na campanha digital, enquanto adversários, segundo ele, gastariam dezenas de milhões de reais para impulsionar imagem. Seu marqueteiro, Sergio Lima, sustenta que a estratégia foi conversar com eleitores indecisos e com perfis pequenos, gerando adesão que depois alcançou grandes influenciadores. Nessa leitura, a ameaça de judicializar o caso aparece como tentativa de anular no tribunal uma preferência manifestada de forma espontânea.
Veículos de esquerda tiveram presença marginal neste conjunto de reportagens, e a leitura que esse campo costuma fazer parte de outro ponto: o da integridade da disputa. Nela, o episódio evidencia a assimetria entre um candidato que declarou mais de R$ 242 milhões de patrimônio à Justiça Eleitoral e os demais concorrentes, além da incapacidade de fiscalizar em tempo real o impulsionamento pago. A checagem depende de institutos privados e de denúncia de adversários, e chega sempre depois de o efeito já ter aparecido nas pesquisas.
Os sinais das plataformas não foram uniformes. No Twitter, o movimento foi de rejeição, com publicações que debochavam de propostas apresentadas pelo candidato em sabatina televisiva, como usar drones para socorrer mulheres em situação de violência e criar um Ministério da Inteligência Artificial. Em aplicativos de mensagem, o candidato registrou o maior índice de mensagens enviadas por usuários com comportamento automatizado entre os presidenciáveis, segundo o mesmo levantamento. Para o cientista político Jorge Chaloub, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cury se distingue por uma posição ideológica ambígua, que se aproveita da rejeição enfrentada por Lula e por Flávio Bolsonaro.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma prova de pagamento a influenciadores foi apresentada até agora, e não há confirmação de que alguma campanha tenha efetivamente protocolado ação no Tribunal Superior Eleitoral. Também não há verificação independente do valor declarado de investimento digital, nem esclarecimento sobre a origem da adesão coordenada de perfis sem histórico político. Adversários especulam sobre a participação do influenciador Pablo Marçal no crescimento, o que a campanha nega, e o próprio Marçal remeteu a pergunta à equipe do candidato.
Todas as coberturas confirmam que Augusto Cury ganhou mais de 2 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias e saltou para a terceira posição nas pesquisas presidenciais, com 11% em dois levantamentos. Também há convergência de que nenhuma prova de irregularidade foi apresentada até agora e de que o candidato nega pagamento a influenciadores.

O candidato do Avante ganhou mais de 2 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias e viu o número de menções a ele crescer mais de 1000% em uma só semana.

Candidato do Avante alcança 11% em levantamento BTG/Nexus e ganha 2,5 milhões de seguidores no Instagram em duas semanas

Concorrentes desconfiam de compra de seguidores, psiquiatra diz que foi orgânico

Candidato do Avante disse que só investiu entre R$ 20 mil e R$ 50 mil na sua campanha digital
Falácias identificadas
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