
Deltan Dallagnol anexa sigilo fiscal de Cristiano Zanin a registro no Paraná
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O ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato do Novo ao Senado pelo Paraná, anexou ao pedido de registro de sua candidatura dezenas de páginas com dados fiscais e bancários do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, obtidos em 2019 na Lava Jato do Rio de Janeiro e depois anulados pela Justiça. O material entrou no sistema do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná sem pedido de sigilo e ficou acessível pela consulta pública. O tribunal determinou sigilo imediato ao processo, que soma mais de 5 mil páginas, e encaminhou o caso ao Ministério Público. A defesa afirma que juntou as cópias integralmente para responder às impugnações e que não teve intenção de expor dados do então advogado.
Esquerda
Veículos de esquerda leram o episódio como continuidade do método da Lava Jato: dados pessoais obtidos de forma depois anulada pela Justiça voltaram a circular, agora dentro de um processo eleitoral público, atingindo um ministro do Supremo Tribunal Federal, a mulher dele, familiares e o escritório de advocacia.
Centro
O ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato do Novo ao Senado pelo Paraná, anexou ao pedido de registro de sua candidatura dezenas de páginas com dados fiscais e bancários do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, obtidos em 2019 na Lava Jato do Rio de Janeiro e depois anulados pela Justiça.
Direita
Sem cobertura neste espectro.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
O texto abre com o antetítulo 'velhos métodos' e organiza a narrativa em torno da fala de um pesquisador crítico da Lava Jato, que chama o episódio de 'história farsesca'. O enquadramento é de violação de direitos e de continuidade de um método de confronto com o sistema de Justiça, vocabulário típico de esquerda. A nota da defesa aparece, mas depois e sem contraponto especializado, o que reforça o ângulo crítico.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
O texto descreve o fato, atribui cada afirmação à sua fonte e publica na íntegra tanto a nota da defesa quanto a nota do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Não usa adjetivação valorativa, não sugere intenção e registra que a Receita Federal não encontrou irregularidade em nome do ministro. Cobertura factual sem enquadramento ideológico identificável.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Dezenas de páginas com dados fiscais e bancários do ministro Cristiano Zanin, obtidos em 2019 na Lava Jato e anulados pela Justiça, foram anexadas ao pedido de registro da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná, sem pedido de sigilo. O tribunal eleitoral restringiu o acesso e acionou o Ministério Público.
O ex-procurador da República Deltan Dallagnol, candidato do Novo ao Senado pelo Paraná, anexou ao pedido de registro de sua candidatura dezenas de páginas com dados fiscais e bancários do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. As informações foram obtidas em 2019, durante a Lava Jato do Rio de Janeiro, quando Zanin ainda atuava como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e foram posteriormente anuladas pela Justiça. Os documentos entraram no sistema do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná sem pedido de sigilo e ficaram acessíveis pela consulta pública da Justiça Eleitoral.
A cobertura de centro relatou que o próprio tribunal se manifestou no mesmo sábado. Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná informou que determinou a atribuição imediata de sigilo aos documentos de um processo que soma mais de 5 mil páginas e que encaminhou o ocorrido ao Ministério Público para as providências cabíveis quanto ao vazamento de dados fiscais de terceiros. O tribunal acrescentou que o protocolo no sistema de processo judicial eletrônico é feito pelos advogados das partes, a quem cabe marcar cada documento como sigiloso.
Os três enquadramentos convergem no essencial. O material saiu de uma reclamação disciplinar que Cristiano Zanin apresentou em fevereiro de 2021 ao Conselho Nacional do Ministério Público contra Deltan Dallagnol e outros integrantes das forças-tarefas da Lava Jato. Na defesa apresentada naquele conselho, os procuradores juntaram relatórios de inteligência fiscal produzidos no contexto da operação, e foi esse conjunto que os advogados do candidato levaram, íntegro, à Justiça Eleitoral. Há convergência também sobre o resultado da devassa original: os relatórios da Receita Federal não apontaram conta secreta no exterior, valores omitidos, transações suspeitas ou patrimônio sem origem comprovada em nome do ministro ou de seu escritório. E há convergência sobre o estado do processo: o registro para a disputa do Senado continua aguardando julgamento.
A divergência aparece no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda trataram o caso como capítulo de um método, e não como incidente processual. Nessa cobertura, dados obtidos por uma quebra de sigilo que o Supremo Tribunal Federal anulou por problemas de competência e de diligência contra escritórios de advocacia voltaram a circular, agora atingindo também Valeska Teixeira Zanin Martins, Roberto Teixeira, Larissa Teixeira e o escritório Teixeira, Martins & Advogados. Um pesquisador da Universidade de Oklahoma que estuda a operação descreveu o episódio como estratégia deliberada de confronto com o sistema de Justiça, destinada a alimentar sentimento antissistema. Essa cobertura lembra ainda que o então juiz Marcelo Bretas, que determinou a quebra em 2019, foi condenado à aposentadoria compulsória em junho deste ano.
Veículos de direita não publicaram cobertura própria do episódio até o momento. A leitura provável desse campo está inteira na nota da defesa, reproduzida pela cobertura de centro: o candidato apresentou as cópias na íntegra para não omitir nada que a Justiça Eleitoral precisasse avaliar, a reclamação apresentada por Zanin não foi julgada procedente contra ele nem contra os demais procuradores, e o exame desses procedimentos é o que demonstraria a fragilidade dos fundamentos usados pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023, quando cassou por unanimidade o registro dele a deputado federal por fraude à lei na saída do Ministério Público Federal. Nessa chave, o direito de disputar a eleição depende de poder produzir a prova, e a falha estaria apenas na marcação de sigilo no sistema, corrigida no mesmo dia. A defesa afirma que jamais teve intenção de expor dados do então advogado.
O que ainda não se sabe é o desfecho de quase tudo. O registro segue sem julgamento, embora o Ministério Público Eleitoral já tenha se manifestado pelo deferimento, em nova manifestação apresentada na quinta-feira, em resposta à contestação da coligação liderada pelo PT. Não há definição sobre qual será a providência do Ministério Público diante do encaminhamento feito pelo tribunal, nem sobre eventual responsabilização pelo protocolo sem sigilo. Também não se sabe por quanto tempo os documentos ficaram disponíveis na consulta pública antes da restrição, nem quantas pessoas além do ministro tiveram dados alcançados. O gabinete de Cristiano Zanin informou que não comentaria o caso.
Todos os enquadramentos aceitam que os dados fiscais de Cristiano Zanin vieram da Lava Jato de 2019, foram anulados pela Justiça e reapareceram num processo eleitoral público, e que a Receita Federal não encontrou irregularidade em nome do ministro ou de seu escritório.

Dallagnol anexou ao registro eleitoral dados fiscais de Cristiano Zanin obtidos pela Lava Jato. Professor vê continuidade de estratégia antissistema.

Defesa do candidato ao Senado diz que anexou "milhares de páginas" ao registro e que não teve a intenção de expor dados do ministro do STF. Leia no Poder360.
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