A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na segunda-feira, 1º de junho de 2026, uma operação para apurar suspeita de fraude e desvio de recursos em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura da capital paulista e o Instituto Conhecer Brasil, o ICB. O contrato previa a instalação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades, dentro do programa de inclusão digital do município. O ICB pertence a Karina Gama, que também é dona da produtora Go UP, responsável pela cinebiografia 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. É esse elo entre o contrato público investigado e a produtora do longa que colocou o caso no centro do debate político.
A cobertura de centro relatou o caso de forma factual: descreveu o objeto da operação, o valor do contrato, as partes envolvidas e registrou que a Prefeitura de São Paulo nega qualquer irregularidade. Esses veículos detalharam que a investigação tem como foco o contrato de wi-fi e seu possível desvio, e que o nexo com o filme decorre da titularidade comum entre a ONG e a produtora. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a operação não tem relação com a obra sobre o pai.
A partir desses mesmos fatos, as coberturas divergiram no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram a hipótese de que dinheiro público destinado a wi-fi em comunidades carentes possa ter irrigado um projeto de propaganda política, tratando o caso como um possível desvio de recursos de inclusão digital e cobrando apuração rigorosa. Alguns chegaram a ligar diretamente o contrato suspeito ao financiamento da cinebiografia e a usar linguagem mais dramática sobre o avanço das investigações.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a versão de Flávio Bolsonaro, que classificou a ação como possível 'perseguição' e falou em 'pescaria probatória' — quando a investigação sai à procura de provas sem foco definido. Para esse lado, há risco de instrumentalização política do aparato policial contra uma produção sobre Bolsonaro, e a presunção de inocência deve prevalecer. Esses veículos ressaltaram que a investigação é do contrato e não do filme, e que a Prefeitura nega irregularidades.
O que ainda não se sabe é se houve, de fato, desvio de recursos no contrato de wi-fi, se algum valor público chegou a financiar a produção do filme e qual a conclusão da Polícia Civil. A apuração segue em andamento e nenhuma das partes investigadas foi formalmente acusada ou condenada até o momento.