
“Dark Horse”: Produtora diz que filme sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões
Resumo da cobertura
Uma perícia privada contratada pela defesa da Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro, afirmou que a obra custou cerca de R$ 75 milhões (US$ 13,4 milhões) e não usou recursos públicos, incentivos ou Lei Rouanet. O laudo aponta que o financiamento veio do fundo Havengate, mas não revela a origem do dinheiro, citando confidencialidade pela LGPD. A produtora é investigada por suposto desvio de verba de um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil. A estreia, prevista para 11 de setembro, pode ser adiada para depois das eleições.
Uma perícia privada contratada pela defesa da Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", concluiu que a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro custou cerca de R$ 75 milhões, o equivalente a US$ 13,4 milhões, e que não foram usados recursos públicos, incentivos fiscais ou a Lei Rouanet. O laudo, assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, foi anexado a um inquérito policial que apura suposto desvio de verba pública em São Paulo. A produtora é comandada por Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil, alvo de investigação por um contrato com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de internet pública.
A cobertura de centro relatou os números de forma factual: os gastos no Brasil, entre junho de 2025 e junho de 2026, somaram cerca de R$ 20,9 milhões, e os custos nos Estados Unidos chegaram a US$ 9,7 milhões. Segundo o laudo, todo o financiamento veio do fundo Havengate, que firmou contrato de investimento com a produtora em fevereiro de 2025. A perícia afirma que os recursos têm origem privada, mas reconhece que a conclusão se limita aos documentos apresentados pela defesa e não revela quem está por trás do dinheiro, alegando confidencialidade prevista na LGPD.
Veículos de esquerda enfatizaram a fragilidade desse laudo. Para essa cobertura, trata-se de uma "perícia investigativa preventiva", paga pela própria parte investigada para se antecipar ao trabalho da Polícia Federal. Esses veículos destacaram que os R$ 75 milhões declarados representam apenas 56% dos R$ 134 milhões previstos em tratativas reveladas pelo site The Intercept Brasil, nas quais o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, aparece em áudio cobrando o repasse de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A cobertura também ressaltou que o fundo Havengate é administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente que vive nos Estados Unidos, e que Karina Gama acumula investigações, incluindo uma apuração da Ancine e uma medida protetiva obtida contra o ex-marido sob a Lei Maria da Penha.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram que a perícia técnica confirma a origem privada e rastreável dos recursos e derruba a acusação de uso de dinheiro público. Nesse enquadramento, o documento comprova que não houve Lei Rouanet, incentivos fiscais nem verba da Prefeitura, e que o filme é uma produção cultural privada, de caráter ficcional, com a ambição declarada de concorrer ao Oscar. O advogado de defesa Ricardo Sayeg afirmou ter recomendado o adiamento da estreia, originalmente prevista para 11 de setembro, para depois das eleições, de modo a preservar a natureza artística da obra e afastá-la da disputa eleitoral.
O que ainda não se sabe é o ponto em que as coberturas convergem. A própria perícia admite que não identificou a origem última dos recursos, e o nome de Vorcaro não aparece no laudo, embora ele seja suspeito de ter custeado a produção. A Polícia Federal ainda estuda como quebrar o sigilo do fundo Havengate, e a Ancine não concluiu sua investigação. Permanece em aberto se a estreia será de fato adiada e como a apuração oficial vai tratar a distância entre o valor declarado pela defesa e os montantes citados nas tratativas vazadas.
Briefing
O que importa para você
- Custo declarado: R$ 75 milhões, ante R$ 134 milhões previstos nas tratativas reveladas.
- Estreia prevista para 11 de setembro pode ser adiada para depois das eleições.
- Polícia Federal e Ancine seguem investigando o financiamento e o sigilo do fundo Havengate.
Onde os lados divergem
- Esquerda: a perícia é uma manobra defensiva paga pela parte investigada e ignora os R$ 134 milhões das tratativas vazadas.
- Direita: o laudo técnico comprova origem privada e rastreável e derruba a acusação de desvio de verba pública.
- Esquerda enfatiza os vínculos com Flávio e Eduardo Bolsonaro; direita trata a obra como produção cultural privada.
Onde os lados concordam
Todos os lados reconhecem que a perícia privada declara um custo de cerca de R$ 75 milhões e que o documento não revela a origem última dos recursos, atribuindo o financiamento ao fundo Havengate.
O que ainda está incerto
- A origem última dos recursos do fundo Havengate, que a própria perícia não identificou.
- Se Daniel Vorcaro foi de fato a fonte do dinheiro, já que seu nome não consta no laudo.
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
- Diário do Centro do MundoA vida louca da produtora de “Dark Horse”, entre Bolsonaro, Vorcaro e medida protetiva contra exProdutora de "Dark Horse", filme sobre Bolsonaro, Karina Gama obtém medida protetiva contra ex-marido em São Paulo.
Ver análise editorial
Título sensacionalista ('vida louca') e enquadramento que entrelaça a medida protetiva com o escândalo político-financeiro do Dark Horse, Vorcaro e Ancine. Veículo de esquerda que enfatiza a teia de irregularidades e a vulnerabilidade da empresária; tom editorializado, mas fatos verificáveis (decisão judicial, investigações).
- Qualidade argumentativa
- 50/100
- Manipulação emocional
Linha do Tempo
- 11 de set. de 2026, 00:00ProgramadoData originalmente prevista para a estreia do filme "Dark Horse", que pode ser adiada para depois das eleições
- 16 de jun. de 2026Hoje
- 14 de jun. de 2026, 00:00Perícia privada da defesa conclui que "Dark Horse" custou cerca de R$ 75 milhões sem uso de recursos públicos
- 13 de jun. de 2026, 00:00Justiça de São Paulo concede medida protetiva a Karina Gama, produtora de "Dark Horse", contra o ex-marido sob a Lei Maria da Penha
- 24 de fev. de 2025, 00:00Fundo Havengate firma contrato de investimento com a Go Up Entertainment para financiar o filme "Dark Horse"
Fontes

Serviço de perícia contratado pela defesa da Go Up Entertainment, investigada por possível desvio de dinheiro público em SP, afirma que aporte veio do fundo Havengate

Produtora de "Dark Horse", filme sobre Bolsonaro, Karina Gama obtém medida protetiva contra ex-marido em São Paulo.

Produtora de "Dark Horse" afirma que filme sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões com recursos privados e avalia adiar a estreia.
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