O calendário eleitoral de 2026 entrou na fase das convenções e, em pouco mais de 48 horas, duas disputas estaduais tiveram o desenho alterado. Em Mato Grosso, o União Brasil decidiu abrir mão de candidatura própria e declarou apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, em convenção realizada em Cuiabá na quinta-feira, 30 de julho, com transmissão ao vivo pela internet. No Rio de Janeiro, no sábado, 1º de agosto, a federação formada por PT, PC do B e PV oficializou apoio à candidatura de Eduardo Paes ao governo do estado, enquanto o ex-governador Wilson Witzel desistiu de sua pré-candidatura e anunciou apoio a Anthony Garotinho.
Em Mato Grosso, a convenção também confirmou o ex-governador Mauro Mendes como candidato ao Senado e rejeitou a candidatura do senador Jayme Campos ao Palácio Paiaguás. Pivetta é produtor agropecuário nascido em Caiçara, no Rio Grande do Sul, e chegou ao estado em 1982. Foi vice de Mauro Mendes a partir de 2019, filiou-se ao Republicanos em 2022 para concorrer à reeleição na mesma chapa, que obteve 68% dos votos válidos, e assumiu o governo em março deste ano, quando o titular deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. O encontro aprovou ainda as listas de candidatos a deputado estadual e a deputado federal.
No Rio, a convenção estadual do partido que lidera a federação foi realizada em um clube no Centro da cidade e, além do apoio a Paes, homologou candidaturas a deputado federal e estadual. O ato foi precedido por atrito interno: os deputados Marcelo Freixo e Lindbergh Farias divulgaram nota de repúdio contra Washington Quaquá, alegando que a comissão executiva estadual aprovou, sem autorização da direção nacional, a entrega do número de urna 1313 a Diego Quaquá, filho dele e presidente estadual da legenda; procurado, Quaquá confirmou que o número ficará com Diego. Já Witzel afirmou que a estratégia é unir o campo da centro-direita para levar Garotinho ao segundo turno contra Paes, superando o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas.
A cobertura de centro relatou os episódios de forma predominantemente descritiva: quem foi apoiado, quem foi rejeitado, quais candidaturas foram homologadas e qual é o histórico dos nomes envolvidos. Veículos de direita enfatizaram outro ângulo em Mato Grosso, o da tensão interna do partido, descrevendo o racha entre o senador que insistia na candidatura própria e a cúpula estadual, comandada pelo ex-governador que preferia apoiar seu antigo vice; nessa leitura, ganhou espaço a fala do senador de que venceria a votação, de que a convenção sequer seria necessária por ele ser o único nome da legenda na disputa e de que enfrentaria todo o poderio econômico do estado. Veículos de esquerda não produziram cobertura própria do episódio no material disponível, de modo que o ângulo que esse campo costuma priorizar, o do peso do poder econômico regional e do controle das máquinas partidárias sobre a escolha dos candidatos, aparece apenas de forma indireta, pelas falas reproduzidas nas demais reportagens.
Ainda não se sabe qual será o próximo passo do senador derrotado na convenção: não há informação sobre eventual recurso, mudança de partido ou adesão à chapa apoiada pelo diretório. Também não foram divulgados o placar da votação entre os convencionais nem as reações do governador apoiado e do ex-governador ao resultado. No Rio, permanece em aberto como será resolvida a disputa pelo número de urna dentro da legenda, se a federação terá espaço na chapa majoritária que passou a apoiar e se os demais pré-candidatos manterão suas campanhas até o registro oficial das candidaturas.