A parcela de brasileiros que defende punir adolescentes infratores como adultos chegou a 70%, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026. O índice era de 65% em 2022. No caminho oposto, o apoio à reeducação dos menores caiu de 34% para 27% no mesmo período, enquanto 3% dos entrevistados não souberam responder. O levantamento faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto e foi realizado presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
A cobertura de centro relatou os números de forma direta e acrescentou um esclarecimento jurídico: embora a pergunta feita aos entrevistados use a palavra crimes, o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que condutas ilícitas praticadas por menores de 18 anos são juridicamente classificadas como atos infracionais, e não como crimes. Essa distinção legal foi apresentada como contexto objetivo, sem juízo de valor.
Veículos de esquerda destacaram exatamente essa imprecisão da pergunta, tratando-a como ponto central. Para essa leitura, usar o termo crimes pode ampliar artificialmente o apoio ao endurecimento e obscurecer a lógica de proteção integral prevista no Estatuto. Essa cobertura enfatizou ainda o recorte por intenção de voto: entre eleitores do presidente Lula, 61% apoiam a punição equivalente à de adultos e 37% preferem políticas de reeducação, um dos menores índices de adesão ao punitivismo. O enquadramento crítico associa o avanço punitivista à fragilização de direitos de adolescentes em situação de vulnerabilidade e ao risco de penalizar sobretudo jovens pobres.
Veículos de direita, por sua vez, tenderiam a ler o mesmo resultado como expressão legítima de uma demanda popular por ordem e responsabilização individual. Nesse recorte, o dado que mais se sobressai é o apoio de 81% entre eleitores do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, contrastando com a menor adesão do eleitorado de Lula. A queda no apoio à reeducação seria interpretada como descrença da população em respostas brandas à criminalidade, pressionando o debate sobre a redução da maioridade penal.
A pesquisa também mediu diferenças por religião: entre evangélicos, 75% defendem a punição como adulto, contra 72% entre católicos. E investigou a política de drogas, apontando que 85% dos entrevistados concordam que o uso deve ser proibido porque toda a sociedade sofre as consequências, ante 13% que defendem o contrário. Esses percentuais eram de 83% e 15% em 2022, variação dentro da margem de erro, o que indica estabilidade da opinião pública sobre o tema.
O que ainda não se sabe é se o resultado terá desdobramento concreto no Congresso, como a retomada da pauta da redução da maioridade penal, e como os pré-candidatos à Presidência incorporarão o tema da segurança pública à campanha de 2026. As matérias também não detalham a margem de erro numérica da pesquisa nem os recortes regionais dos resultados.