A pesquisa Datafolha divulgada em 20 de junho de 2026 pelo jornal Folha de S.Paulo apontou estabilidade na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Segundo o levantamento, 38% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, 32% a avaliam como ótima ou boa e 29% a classificam como regular. Apenas 1% não soube responder. Na pergunta sobre a condução do governo, 48% disseram aprovar e 49% afirmaram reprovar, índices praticamente empatados.
A cobertura de centro relatou que os números repetem, em sua maioria, a rodada anterior, de maio: a avaliação negativa segue em 38% e a positiva em 32%, com a categoria regular subindo apenas um ponto, de 28% para 29%. Veículos de centro também detalharam a metodologia da pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 17 e 19 de junho, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
O mesmo Datafolha mediu o cenário presidencial de 2026. Lula aparece com a liderança nas intenções de voto no primeiro turno e venceria os cenários de segundo turno testados, incluindo a simulação contra o senador Flávio Bolsonaro, do PL, na qual obtém 47% contra 43%. Os números seguem estáveis em relação ao mês anterior.
É na leitura política desses dados que a cobertura se divide. Veículos de esquerda enfatizaram que Lula mantém a liderança nacional mesmo sob a ofensiva do bolsonarismo, destacando que o presidente vence todos os adversários no segundo turno e que o desgaste do chamado caso Dark Horse, ligado a Flávio Bolsonaro e ao Banco Master, ajuda a preservar a vantagem governista. Essa cobertura também ressaltou medidas econômicas e sociais do governo, como um pacote de mais de R$ 140 bilhões em créditos e subsídios, e enquadrou a avaliação negativa como reflexo da disputa política em temas como soberania nacional, Pix e segurança pública.
Do outro lado, uma leitura à direita dos mesmos números enfatizaria que a reprovação à condução do governo, de 49%, supera a aprovação de 48%, e que a avaliação positiva permanece travada em 32%, sinal de que o presidente não consegue ampliar seu apoio popular a poucos meses da campanha. Esse enquadramento também daria peso ao fato, mencionado na própria cobertura de esquerda, de que o escândalo do Banco Master passou a atingir o campo governista, com uma operação da Polícia Federal mirando o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, do PT, suspeito de receber pagamentos do empresário Daniel Vorcaro.
O que ainda não se sabe é o efeito completo dessa operação sobre o quadro eleitoral, já que a pesquisa foi a campo nos dias 17 e 18 de junho e capta apenas parcialmente o desdobramento contra Jaques Wagner. Também permanece em aberto se a estabilidade atual se manterá quando a campanha oficial começar, dentro de menos de dois meses.