O Datafolha divulgou na sexta-feira, 21 de agosto, a primeira pesquisa de intenção de voto para presidente feita depois do início oficial da campanha de 2026, e no sábado, 22, publicou os recortes das maiores unidades eleitorais do país e um levantamento estadual sobre governo e Senado no Piauí. No cenário nacional estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados ao entrevistado, Lula, do PT, aparece com 39% e Flávio Bolsonaro, do PL, com 33%. Ronaldo Caiado, do PSD, tem 5%; Renan Santos, do Missão, 4%; Romeu Zema, do Novo, 3%; e Augusto Cury, do Avante, 2%. Os quatro estão empatados dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O instituto ouviu 2.058 eleitores em 128 cidades, nos dias 18 e 19 de agosto, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Brancos, nulos ou nenhum dos candidatos somam 6%, e indecisos, 4%. Em um cenário alternativo que inclui Pablo Marçal, do PRTB, com 2%, Flávio Bolsonaro recua a 32% e Lula mantém 39%. O Tribunal Superior Eleitoral ainda vai decidir se Marçal poderá concorrer: ele está inelegível até 2032 por uso indevido de meios de comunicação social na campanha municipal de 2024, mas conseguiu registrar a candidatura depois de a Justiça Eleitoral de São Paulo reconhecer provisoriamente a filiação dele ao partido.
Foram testados quatro pares de segundo turno, e Lula lidera todos. Contra Flávio Bolsonaro, 47% a 43%, empate no limite da margem de erro. Contra Ronaldo Caiado, 47% a 40%. Contra Romeu Zema, 48% a 38%. Contra Renan Santos, 47% a 37%. Na mesma rodada, o instituto mediu a avaliação do governo: 33% a consideram ótima ou boa, 25% regular e 41% ruim ou péssima. Perguntados sobre a atuação do presidente, 47% aprovam e 50% desaprovam.
Os recortes estaduais divulgados no dia seguinte mudam o desenho da disputa. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro e Lula estão tecnicamente empatados no primeiro turno, com 35% a 34%, e o senador abre cinco pontos no segundo, com 47% a 42%. Ele também lidera o segundo turno no Rio de Janeiro, com 49% a 40%, e no Distrito Federal, com 51% a 39%. Lula lidera em Minas Gerais, com 46% a 42%, e em Pernambuco, com 62% a 29%. No Piauí, em pesquisa contratada por uma emissora local, o governador Rafael Fonteles, do PT, tem 56% no cenário estimulado contra 21% de Joel Rodrigues, do PP, e a disputa pelo Senado está embolada entre Ciro Nogueira, do PP, com 16%, Marcelo Castro, do MDB, com 16%, e Júlio César, do PSD, com 14%.
A cobertura de centro tratou a divulgação como reportagem de números: apresentou todos os cenários na ordem em que o instituto os publicou, detalhou os intervalos de margem de erro candidato a candidato, registrou o empate técnico entre os nomes de um dígito e deu o mesmo peso ao dado favorável ao governo, a liderança em todos os cenários, e ao desfavorável, a desaprovação de 50% e os 41% de avaliação negativa. Veículos de direita concentraram a cobertura nos recortes estaduais, abrindo pela vantagem do senador em São Paulo e destacando a competitividade da oposição nos maiores colégios eleitorais, além de reproduzirem a ressalva de que pesquisas divulgadas em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes diante do resultado das urnas. Nenhum veículo de esquerda integrou este conjunto de fontes; pela chave de leitura da esquerda, os mesmos dados sustentam que um presidente em exercício abre a campanha à frente em todos os cenários nacionais, com margem maior justamente contra os nomes associados à redução do Estado, e que a vantagem de 33 pontos em Pernambuco expressa o peso eleitoral de políticas sociais no Nordeste.
O que ainda não se sabe é como esses números se movem ao longo da campanha. Nenhum dos levantamentos traz comparação com rodadas anteriores do próprio instituto, o que impede afirmar se há tendência de alta ou de queda para qualquer candidato. Não há dado divulgado sobre primeiro turno no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Distrito Federal, apenas simulações de segundo turno. Também segue em aberto a decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre o registro de Pablo Marçal, que altera a composição do primeiro turno, e não há medição do efeito do horário eleitoral gratuito, que ainda não havia começado quando o campo foi a rua.