A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado entrou na campanha oficial sem um favorito isolado. Pesquisa do instituto Datafolha divulgada em 21 de agosto de 2026 mostra as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) com 12% das intenções de voto cada, e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), com 10%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados na liderança. É o primeiro levantamento do instituto depois do início do período de campanha definido pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral.
Logo atrás aparecem o deputado federal Guilherme Derrite (PP), com 7%, e o deputado federal Ricardo Salles (Novo), com 6%. O escritor Geraldo Rufino (Podemos) tem 4%. Soninha Francine (Cidadania) e Dra. Eliana Ferreira (PSTU) marcam 3% cada, e Maíra de Souza (UP) registra 2%. Os demais concorrentes ficam com 1% ou não pontuam. O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 municípios paulistas, entre 18 e 19 de agosto, tem intervalo de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob os números SP-01806/2026 e BR-07185/2026.
A cobertura de centro relatou os números na mesma ordem e convergiu no ponto que mais define o momento da corrida: o eleitorado ainda não escolheu. Do total de entrevistados, 21% dizem que vão votar em branco, em nulo ou em nenhum dos candidatos, e outros 14% se declaram indecisos. Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado responde sem ver uma lista de nomes, 79% não conseguem citar nenhum candidato ao Senado. Simone Tebet é a mais lembrada nesse formato, com 3%; Marina Silva e Guilherme Derrite têm 2% cada, e André do Prado, 1%.
As alianças estaduais organizam a leitura política do resultado. Marina Silva e Simone Tebet integram a chapa do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, e apoiam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. André do Prado e Guilherme Derrite estão vinculados à chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição e aliado de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Ricardo Salles concorre como candidato de direita independente.
Veículos de direita enfatizaram um dado estrutural pouco explorado nas demais coberturas: em 2026, São Paulo escolherá dois senadores, cada eleitor poderá votar em dois nomes diferentes, e as duas maiores votações garantirão mandatos de oito anos. Nessa chave, a fragmentação do campo conservador entre três candidaturas e a indefinição de um terço do eleitorado importam mais do que a liderança momentânea. Já veículos de esquerda não publicaram, até o momento, análise própria do levantamento; a leitura provável desse campo enfatizaria que duas mulheres com passagem por ministérios de agenda social e ambiental abrem a disputa na frente num estado governado pela oposição, e que o baixo conhecimento dos candidatos favorece quem tiver mais estrutura de campanha.
A cobertura de centro acrescentou a série histórica e a ressalva metodológica que a acompanha. Em pesquisa divulgada em junho, quando as candidaturas ainda não haviam sido oficializadas, Marina Silva aparecia com 18%, Simone Tebet com 16%, Ricardo Salles com 13%, André do Prado com 11% e Guilherme Derrite com 10%. A comparação direta entre os dois levantamentos não é válida, porque a relação de candidatos apresentada aos entrevistados mudou. A mesma onda de pesquisa mediu ainda o Rio de Janeiro, onde a deputada federal Benedita da Silva (PT) lidera com 15%, seguida pelo deputado Carlos Jordy (PL) e pelo senador Carlos Portinho (PL), com 8% cada, em amostra de 1.204 eleitores e margem de três pontos percentuais.
O que ainda não se sabe é para onde vão os votos hoje sem dono. Não há dado público sobre como os indecisos e os 79% de indefinição na espontânea se distribuirão quando a propaganda eleitoral avançar, nem sobre quanto do desempenho dos candidatos ao governo paulista se transfere aos nomes de cada chapa. As coberturas também não abrem o resultado por segmentos de renda, escolaridade, religião ou região do estado. Nenhum dos veículos apresenta o percentual em votos válidos, e o próprio instituto registra que uma pesquisa é o retrato de um momento, não uma previsão de resultado.