Apresentadores de rádio e televisão que pretendem disputar as eleições de outubro de 2026 têm até esta terça-feira, 30 de junho, para deixar a grade das emissoras. A exigência está prevista na Lei das Eleições, a 9.504 de 1997, e em resolução do Tribunal Superior Eleitoral que disciplina a propaganda eleitoral. O objetivo da norma é impedir que pré-candidatos utilizem a exposição diária na mídia como vantagem sobre adversários menos conhecidos.
A cobertura de centro relatou que o descumprimento do prazo pode resultar em sanções tanto para os pré-candidatos quanto para as emissoras que mantiverem os profissionais no ar depois da data limite. A regra atinge nomes de perfis bastante distintos, do entretenimento ao jornalismo político.
Entre os principais nomes está Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos e apresentadora do Sábado Animado, do SBT, há mais de duas décadas. Ela se filiou ao PSD e deve disputar uma vaga de deputada federal por São Paulo, defendendo bandeiras como a inclusão de pessoas com deficiência e o apoio a famílias de pacientes com doenças raras. Luiz Datena, da TV Brasil e da Rádio Nacional, deixou a emissora para viabilizar candidatura a deputado federal, com o PSB articulando sua filiação. Sikêra Júnior, ex-titular do programa Alerta, na TV A Crítica, anunciou pré-candidatura a deputado federal após convite do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. André Marinho, comentarista da Jovem Pan, confirmou pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo Novo, e apresentou o ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro como coordenador de sua equipe econômica.
Veículos de direita enfatizaram a chegada de figuras populares à política, parte delas a convite de Tarcísio de Freitas, como movimento de renovação de quadros e aproximação entre a política e o cidadão comum. Nesse enquadramento aparecem também Val Marchiori, Celso Russomanno, do Republicanos, que tenta reeleição, e Padre Kelmon, do PL, reforçando o campo conservador.
Veículos de esquerda, por sua vez, tendem a destacar o papel regulador do Estado e do TSE em garantir disputa justa, lendo a regra como proteção da isonomia eleitoral diante de comunicadores que poderiam transformar audiência diária em capital político sobre adversários sem visibilidade. Nesse olhar, a obrigação de deixar o ar e as sanções às emissoras impedem que a mídia funcione como palanque informal.
A cobertura também registra casos de recuo. Leão Lobo, da RedeTV!, filiou-se ao PT em abril, mas declarou publicamente que não pretende se candidatar a cargo eletivo.
O que ainda não se sabe é a confirmação formal de várias dessas pré-candidaturas, que dependem das convenções partidárias e do registro junto à Justiça Eleitoral. Também permanece em aberto o desempenho desses nomes nas urnas e se todos cumprirão integralmente o prazo de saída do ar, evitando as sanções previstas.