TSE registra doações de bilionários enquanto ex-aliados de Bolsonaro mudam de lado
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Os registros da Justiça Eleitoral começaram a desenhar o quadro das eleições de outubro de 2026 em três frentes. Em São Paulo, o Tribunal Superior Eleitoral recebeu 2.549 pedidos de candidatura, dos quais 615, ou 24,1%, são de pessoas nascidas fora do estado, proporção próxima à da população paulista medida pelo Censo de 2022. Na prestação de contas, quatro bilionários declararam R$ 4,05 milhões em doações até 25 de agosto, e um quinto empresário registrou mais R$ 100 mil no dia seguinte. No plano partidário, cinco políticos eleitos ou projetados pela onda de 2018 aparecem agora em palanques distintos daqueles de origem.
Os dados eleitorais expõem duas assimetrias, na leitura da esquerda. A primeira é o financiamento: um punhado de bilionários, com fortunas somadas na casa das dezenas de bilhões de dólares, injeta milhões em disputas estaduais e move o jogo em favor de quem já tem acesso ao andar de cima, enquanto milhares de candidatas e candidatos sem rede de doadores disputam a mesma vaga.
Para a leitura da direita, os mesmos números contam outra história. Doação declarada, com nome, valor e destinatário no sistema do Tribunal Superior Eleitoral, é exercício legítimo de liberdade política e o oposto do caixa dois; e a lista de beneficiados desmonta o discurso antielite, porque herdeiros do Itaú Unibanco financiaram candidaturas do PSOL, do PT e do PSB.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Toda a cobertura parte da mesma base oficial, os registros do Tribunal Superior Eleitoral, e não há disputa sobre os fatos: os números de candidaturas em São Paulo, os valores doados por Alexandre Grendene Bartelle, pelos irmãos Moreira Salles e por Lírio Albino Parisotto, e as mudanças de partido de Soraya Thronicke, Luciano Bivar, Julian Lemos, Otoni de Paula e Romário são relatados da mesma forma.
As eleições de 2026 já aparecem nos números da Justiça Eleitoral. Em São Paulo, 615 dos 2.549 candidatos registrados nasceram fora do estado. Nas prestações de contas, quatro bilionários somam R$ 4,05 milhões em doações e um quinto empresário entrou na lista. No campo partidário, nomes projetados pela onda de 2018 aparecem hoje ao lado do PT ou de rivais do PL.
Os registros da Justiça Eleitoral começaram a desenhar o retrato das eleições de outubro de 2026, e três recortes concentraram a cobertura desta semana: quem se candidatou, quem financia as campanhas e quem trocou de lado desde 2018.
Em São Paulo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 2.549 pedidos de registro de candidatura. Desses, 615, o equivalente a 24,1% do total, são de pessoas nascidas fora do estado. O grupo inclui três candidatos ao governo paulista, entre eles o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cinco candidatos ao Senado, 320 postulantes à Assembleia Legislativa e 281 à Câmara dos Deputados. Bahia, com 109 registros, e Minas Gerais, com 101, lideram entre os estados de nascimento, seguidas por Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro. São 401 homens e 214 mulheres. Sete candidatos são brasileiros naturalizados, nascidos em cidades como Seul, Damasco, Buenos Aires e Havana. A proporção se aproxima da composição da população paulista: pelo Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20% dos moradores do estado nasceram em outra unidade da federação ou no exterior.
No financiamento, uma análise de mais de 10 mil doações registradas a partir de 30 de julho, feitas por mais de 9 mil pessoas físicas, mostrou que quatro bilionários somavam R$ 4,05 milhões até 25 de agosto. Alexandre Grendene Bartelle é o maior doador individual, com R$ 3 milhões, sendo R$ 2,5 milhões para Luciano Zucco (PL), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, e R$ 500 mil para Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará. O irmão, Pedro Grendene Bartelle, declarou R$ 700 mil. Walter Moreira Salles Junior distribuiu R$ 300 mil entre candidaturas do PSB, do PSOL e do PT, incluindo R$ 100 mil para a candidata ao Senado Manuela D'Ávila. João Moreira Salles registrou R$ 50 mil. No dia seguinte, apareceu o registro de R$ 100 mil doados por Lírio Albino Parisotto ao diretório estadual do MDB no Rio Grande do Sul.
O terceiro recorte é o das mudanças de campo. Soraya Thronicke, eleita senadora em 2018 pelo PSL, filiou-se ao PSB em abril de 2026 e disputa novamente o Senado no Mato Grosso do Sul com apoio de Lula. Luciano Bivar, que presidia o PSL quando Jair Bolsonaro venceu a eleição de 2018, é hoje primeiro suplente de Humberto Costa (PT) em Pernambuco. Julian Lemos, coordenador da campanha de Bolsonaro no Nordeste em 2018, declarou apoio à reeleição do atual presidente. Otoni de Paula, que foi vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, apoia Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno e afirmou que votaria em Lula num eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O senador Romário deixou o PL em agosto e passou a apoiar Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro.
A cobertura de centro tratou os três recortes como leitura de dados públicos, apresentando números de registro, valores declarados e patrimônio dos doadores sem atribuir intenção às escolhas. Veículos de esquerda deram outro enquadramento ao mesmo material: classificaram as trocas de partido como ruptura com o bolsonarismo, destacaram as declarações de defesa da democracia e descreveram parte dos casos como oportunismo político. Veículos de direita não apareceram no material reunido sobre esse conjunto de matérias, de modo que não há neste recorte uma leitura que trate as migrações partidárias como resposta ao ambiente judicial ou as doações empresariais como exercício ordinário de liberdade política.
O que ainda não se sabe é quanto desses números vai mudar. As prestações de contas são parciais e cobrem apenas o que foi declarado até o fim de agosto, sem indicar o total que cada campanha vai arrecadar. Não há informação sobre o que os doadores esperam das candidaturas que financiam, nem sobre como os políticos que mudaram de lado serão avaliados nas urnas. Também não está claro se a proporção de candidatos nascidos fora do estado observada em São Paulo se repete nas demais unidades da federação.
O empresário e bilionário brasileiro Lírio Albino Parisotto destinou R$ 100 mil ao diretório estadual do MDB no Rio Grande

Um em cada quatro candidatos registrados para disputar cargos eletivos em São Paulo neste ano nasceu fora do estado. Ao todo, são 615 pessoas.

Walter Moreira Salles, diretor do filme premiado, doou a neto de Rubens Paiva; Grendene lidera valores com R$ 3 milhões

Oito anos depois, antigos aliados e nomes impulsionados pela onda bolsonarista aparecem ao lado do PT, de rivais do PL ou de uma direita que tenta se descolar do ex-presidente

Empresário Lírio Parisotto tem fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões pela Forbes
