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Reportagem analítica mostra como o Rio de Janeiro deixou de ser reduto eleitoral do PT para se tornar terreno adverso a Lula, hoje disputado com o senador Flávio Bolsonaro rumo a 2026. Séries históricas de votos, o vácuo aberto pela Lava Jato, o crescimento evangélico e a cooptação de lideranças locais explicam a conversão, segundo especialistas ouvidos.
O Rio de Janeiro, que já foi um dos redutos mais sólidos do PT, tornou-se palco de uma disputa particular entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro rumo à eleição presidencial de 2026. A reportagem, produzida pela Folhapress e também republicada por veículo de esquerda, percorre o comércio popular de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para mostrar de perto a conversão política de um eleitorado que antes era petista e hoje se identifica com o bolsonarismo.
Os números organizam a narrativa. Em 2002, Duque de Caxias, segundo maior colégio eleitoral do estado, deu 86% dos votos válidos a Lula no segundo turno; em 2006, foram 81%. O quadro se inverteu em 2018, quando Jair Bolsonaro obteve 66% na cidade, repetindo vantagem em 2022. No conjunto do estado, Lula chegou a ter 79% dos votos válidos em 2002, mas perdeu entre os fluminenses em 2022, com 43%, ante 51% no país. A trajetória estadual acompanha a nacional, porém com oscilações mais amplas.
A cobertura de centro, representada pela Folha, apresenta os fatores da virada com paridade de fontes. Ouve o ex-prefeito Washington Reis, ex-aliado de Lula e hoje apoiador de Flávio, para quem Bolsonaro capturou um ativo político que ficou órfão após a Lava Jato. Ouve também o dirigente petista Washington Quaquá, prefeito de Maricá, que atribui a perda de hegemonia ao esfarelamento das alianças com o brizolismo e o PMDB e a um giro do PT para uma pauta mais identitária do que social, o que teria afastado o eleitorado popular conservador. Cientistas políticos como Mayra Goulart, da UFRJ, e Antônio Alckmin acrescentam o peso da Operação Lava Jato, que prendeu os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, e o crescimento evangélico: o Censo 2022 do IBGE aponta 32% de evangélicos no estado, acima dos 26,9% nacionais.
Os veículos de esquerda destacaram sobretudo o custo político da Lava Jato, descrita como operação que atingiu a esquerda e a centro-esquerda e abriu margem para a extrema-direita, e enfatizaram a cooptação de elites tradicionais como lógica de controle territorial do poder. Um levantamento do Lappcom mostra que 70% dos vereadores eleitos pelo PL no estado em 2024 já tinham atuação política anterior. A leitura provável dos veículos de direita, que até o momento não cobriram esta reportagem, tenderia a enfatizar o outro lado dos mesmos fatos: a rejeição concreta do eleitor à gestão petista, o enraizamento legítimo de Bolsonaro no estado e a base evangélica como expressão autônoma de valores conservadores, e não como instrumento de captura.
O que ainda não se sabe é se Flávio Bolsonaro será de fato o nome da direita na disputa de 2026, como o PT pretende reorganizar seu palanque fluminense a partir da aliança com Eduardo Paes e em que medida a conversão observada em Duque de Caxias se sustentará diante das candidaturas efetivamente lançadas. A reportagem também deixa em aberto a resposta do campo bolsonarista às análises acadêmicas sobre cooptação de lideranças locais.
As duas coberturas convergem nos fatos centrais: o Rio deixou de ser reduto do PT, Lula perdeu no estado em 2022, e Lava Jato, avanço evangélico e cooptação de lideranças locais ajudam a explicar a virada rumo ao bolsonarismo.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Apesar de republicado por veículo de perfil à esquerda (ICL), o conteúdo é material da Folhapress: reportagem factual e analítica que cita séries históricas de votos, especialistas (Mayra Goulart, Antônio Alckmin) e atores dos dois campos (Washington Reis, Washington Quaquá). Sem vocabulário valorativo próprio. Julgado CENTER pelo texto.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto factual da Folha com paridade de fontes: cita ex-aliado de Lula agora com Flávio (Washington Reis), dirigente petista (Quaquá) e cientistas políticos. Séries de votos apresentadas com neutralidade. Sem enquadramento ideológico carregado. CENTER.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

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