Duas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026 foram divulgadas na terça-feira, 21 de julho, e recolocaram no centro do debate a distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. No levantamento nacional, Lula aparece com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% do senador. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, registra 6%. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o coordenador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, marcam 3% cada. O ex-ministro Joaquim Barbosa e o escritor Augusto Cury aparecem com 1%. Votos brancos e nulos somam 8%, e os indecisos, 7%.
A cobertura de centro detalhou também os quatro cenários de segundo turno testados. No confronto direto entre os dois primeiros colocados, o presidente tem 46% e o senador, 39%. Em relação ao levantamento anterior, de junho, Lula recuou um ponto e Flávio, dois. Contra o ex-governador de Minas Gerais, o presidente marca 46% a 32%. Contra o ex-governador de Goiás, 45% a 37%. Contra o coordenador do MBL, 47% a 27%. Essa mesma cobertura trouxe os índices de rejeição: 50% dos entrevistados dizem que jamais votariam no senador e 49% afirmam o mesmo sobre o presidente. O menos rejeitado entre os testados é o ex-governador de Goiás, com 35%, embora seja também o que tem menor taxa de intenção declarada de voto.
O segundo levantamento, com recorte regional, foi o mais explorado por veículos de direita, que enfatizaram o equilíbrio da disputa em vez da vantagem nacional. Nesse recorte, Lula tem 54% no Nordeste, contra 22% do senador. No Sul, o quadro se inverte: 41% para Flávio e 27% para o presidente. No Sudeste, região que concentra a maior fatia do eleitorado, os dois aparecem empatados em 37%. Essa cobertura apresentou o Sudeste como o principal campo de batalha da eleição e destacou que os candidatos fora da polarização têm ali seu melhor desempenho, com Renan Santos em 12% e Ronaldo Caiado em 7%. Os percentuais nacionais e os dados de rejeição não foram apresentados nessa abordagem.
Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam publicado análise própria dos dois levantamentos. O enquadramento habitual desse campo, quando os números aparecem, costuma sublinhar a liderança do presidente em todos os cenários simulados e a força eleitoral no Nordeste como efeito de políticas de renda e proteção social. Já a leitura predominante entre veículos de direita destaca a rejeição elevada de quem ocupa a Presidência, o empate no colégio eleitoral mais numeroso do país e a fatia de eleitores ainda indefinidos como espaço aberto para mudança no quadro.
Os dois pontos em que as coberturas convergem são objetivos: o presidente lidera todos os cenários medidos e a rejeição dos dois principais nomes está em patamar semelhante e alto, acima de 49%. As pesquisas ouviram 2.000 eleitores cada e estão registradas na Justiça Eleitoral, sob os protocolos BR-02904/2026 e BR-05864/2026. A primeira foi feita por telefone entre 16 e 19 de julho, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. A segunda tem campo entre 18 e 20 de julho e margem de dois pontos. Ambas trabalham com intervalo de confiança de 95%.
O que ainda não se sabe é relevante para interpretar os números. Nenhuma das coberturas informa o método de coleta do segundo levantamento nem quem o contratou. Não há dados regionais do primeiro levantamento nem números nacionais do segundo, o que impede comparação direta entre os dois. Também não foram divulgados recortes por renda, escolaridade ou faixa etária, nem cenários que considerem eventuais desistências ou trocas de nomes até o registro oficial das candidaturas.