A temporada de debates das eleições de 2026 começou no domingo, 9 de agosto, com encontros simultâneos entre candidatos aos governos estaduais e ao Distrito Federal. Os programas foram ao ar a partir das 20h, promovidos por uma emissora de TV aberta em parceria com veículos nacionais e locais, e transmitidos também por canal de vídeo na internet e por aplicativo. Foi o primeiro confronto direto entre os postulantes nesta eleição, uma semana antes do início oficial da propaganda eleitoral, marcado para 16 de agosto, data a partir da qual as campanhas podem realizar comícios, distribuir material e fazer propaganda na internet dentro das regras da Justiça Eleitoral.
Há convergência entre as diferentes coberturas sobre o essencial do calendário. O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República está previsto para 23 de agosto, às 20h, em transmissão conjunta de um pool de emissoras e pela internet. Outros três encontros presidenciais de primeiro turno estão marcados para 14 de setembro, 27 de setembro e 1º de outubro, com a ressalva de que as datas ainda podem mudar conforme acordos entre emissoras, partidos e candidatos. O primeiro turno será em 4 de outubro; se nenhum candidato à Presidência ou a governo estadual obtiver mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados vão ao segundo turno, em 25 de outubro, com debates finais previstos entre 7 e 23 de outubro.
Veículos de direita enfatizaram o calendário e a moldura legal da disputa. Essa cobertura detalhou que a participação nos debates de rádio e televisão segue a Lei nº 9.504/1997 e a Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral, e que têm lugar assegurado os candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Candidatos de legendas abaixo desse patamar podem ser convidados pelas emissoras, mas não têm presença obrigatória garantida. A cobertura de centro manteve o mesmo registro factual, concentrada em horários, emissoras, plataformas de transmissão e prazos oficiais, sem atribuir intenção a nenhum dos atores.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo do mesmo fato: quem fica de fora. Essa cobertura listou, estado a estado, os nomes e partidos dos participantes e ressaltou que nem todos os candidatos aos governos estarão nas mesas. Em São Paulo, o debate reuniu apenas dois nomes, enquanto quatro candidaturas de legendas pequenas ficaram sem espaço. Também detalhou o formato dos programas, com perguntas temáticas de mediadores e jornalistas, respostas de dois minutos e confrontos diretos, além de registrar disputas em que governadores em exercício enfrentam antecessores ou ex-ministros em estados como Bahia, Ceará, Piauí e Rio de Janeiro. A leitura implícita é de que o recorte dos participantes resulta de acordos entre emissoras e grandes partidos, não de um desenho neutro.
As coberturas também não batem em um dado objetivo. Uma delas fala em debates em 13 estados mais o Distrito Federal; a outra, em 12 estados mais o DF, e explica a diferença: o encontro de Minas Gerais foi adiado para 16 de agosto. Há ainda divergência menor nas listas de unidades da federação citadas, com a Paraíba aparecendo em uma cobertura e não na outra.
O que ainda não se sabe é quanto do calendário sobreviverá intacto. As próprias matérias registram que as datas dos debates presidenciais podem ser alteradas por acordo entre emissoras, partidos e candidatos. Não está detalhado quantas emissoras pretendem convidar candidatos sem participação assegurada, nem quais critérios usarão para isso. Também não há informação consolidada sobre a confirmação de presença dos principais presidenciáveis no encontro de 23 de agosto, nem sobre eventuais mudanças no formato dos programas de segundo turno.