A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que afaste definitivamente a hipótese de falta grave no episódio da arma apreendida com um agente de sua segurança. A manifestação foi enviada nesta quinta-feira, 2 de julho, depois que a Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que Bolsonaro não cometeu crime no caso. Segundo o relatório policial, a pistola, uma Glock 9 mm, tinha registro válido em nome do ex-presidente. A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou que o único indiciado pela corporação foi o sargento Estácio Leite Filho, por porte ilegal de arma de fogo.
O episódio remonta a uma blitz de rotina em Taguatinga, em 15 de junho, quando um agente da Polícia Militar do Distrito Federal encontrou a pistola no assoalho de um carro oficial da Presidência da República, conduzido por um integrante do Gabinete de Segurança Institucional. Um carregador sobressalente também foi apreendido. Ao ser parado, o agente afirmou inicialmente que a arma era sua, mas, sem registro em seu nome, disse depois que o equipamento pertencia a Bolsonaro e ficava guardado no veículo. Em depoimento, alegou que a pistola apresentava falha mecânica e havia sido entregue para reparo.
Os veículos de direita, como a Jovem Pan, enfatizaram a conclusão da Polícia Civil de que Bolsonaro não cometeu crime, destacando que o registro da arma era regular e que a retirada do armamento da residência decorreu de iniciativa exclusiva do agente de segurança, sem determinação do ex-presidente. Nesse enquadramento, a defesa sustenta que os elementos da investigação apenas reforçam a inexistência de falta grave e que Bolsonaro sequer tem interesse em reaver a arma, que estaria inoperante após a remoção do percursor pela própria equipe de segurança.
Já a leitura mais crítica, presente em parte da cobertura, destacou os pontos que Moraes levantou: por que uma pistola e um carregador sobressalente estavam guardados na casa de um condenado em prisão domiciliar, e por que o reparo foi solicitado às vésperas do fim do prazo de 90 dias da medida. A defesa afirmou ainda que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica por efeito de medicações psiquiátricas que afetam sua cognição, argumento que alimenta o questionamento sobre o cumprimento das cautelares.
Um ponto de convergência entre as coberturas é a posição da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral Paulo Gonet manifestou-se favorável à continuidade da prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo STF por razões de saúde, ao entender que o inquérito não imputa ao ex-presidente falta disciplinar capaz de impactar o regime atual. Ao mesmo tempo, Gonet ponderou que a condição de Bolsonaro é incompatível com a posse de arma de fogo e defendeu que a pistola permaneça apreendida.
O que ainda não se sabe é como Moraes decidirá sobre o pedido da defesa, se acatará o afastamento definitivo da hipótese de falta grave e qual será o desdobramento para o agente do GSI indiciado. Também permanece em aberto o resultado da apuração sobre o cumprimento da ordem de revista nos carros que deixam a residência do ex-presidente.