Até o momento, apenas o Metrópoles cobriu o caso, relatando que o volume de dinheiro esquecido por brasileiros em contas bancárias caiu para R$ 6,24 bilhões, segundo dados do Banco Central referentes a maio de 2026 e divulgados nesta terça-feira, 14 de julho. Em junho, ao apresentar o balanço de abril, a autarquia havia informado um total de R$ 10,3 bilhões disponíveis para resgate, uma queda expressiva em apenas um mês.
Segundo a reportagem, a redução tem uma explicação concreta: parte dos recursos não resgatados foi encaminhada ao Fundo Garantidor de Operações, criado para sustentar a redução dos juros cobrados nas renegociações de dívida do programa Novo Desenrola Brasil, batizado de Desenrola 2.0. Lançado em 4 de maio pelo governo federal com o objetivo declarado de reduzir o endividamento recorde da população, o programa passou a usar parte do dinheiro esquecido como garantia para bancar descontos no refinanciamento de dívidas de brasileiros. Por portaria, o Ministério da Fazenda determinou que o saldo informado pelas instituições financeiras ao Banco Central até 31 de dezembro de 2024 fosse transferido ao fundo, uma mudança em relação à posição anterior da pasta, que dizia não haver prazo para os correntistas resgatarem os valores.
Do total ainda disponível, R$ 4,43 bilhões pertencem a 24,1 milhões de clientes pessoas físicas, e R$ 1,8 bilhão pode ser resgatado por 2,27 milhões de empresas. Desde que o Sistema de Valores a Receber foi criado, o Banco Central já devolveu R$ 15,47 bilhões aos donos originais, sendo R$ 11,40 bilhões a pessoas físicas e R$ 4,07 bilhões a pessoas jurídicas. A reportagem também detalha o passo a passo para consultar e resgatar o dinheiro: é preciso acessar o site do sistema, fazer login na conta gov.br com nível prata ou ouro, aceitar o termo de responsabilidade e escolher entre o resgate via Pix, em até 12 dias úteis, ou por meio da própria instituição financeira.
O texto não traz manifestação de especialistas independentes, de parlamentares de oposição ou de entidades de defesa do consumidor sobre a decisão do governo de redirecionar o dinheiro esquecido para bancar o Desenrola 2.0, nem esclarece se existe algum questionamento jurídico sobre essa transferência de recursos que, originalmente, pertencem a clientes de bancos. Também não fica claro se a tendência de queda no saldo disponível deve se manter nos próximos meses, à medida que mais recursos sejam direcionados ao fundo garantidor.