Advogados veem barreiras para Flávio Dino anular vitória de Flávio Bolsonaro
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A poucos dias do primeiro turno de 4 de outubro, parte da direita levanta a hipótese de que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tente reverter uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Advogados ouvidos avaliam que a competência para cassar chapa presidencial é do Tribunal Superior Eleitoral e exige prova robusta, o que torna improvável o sucesso de uma iniciativa individual.
A cobertura de direita trata a atuação de Flávio Dino como interferência indevida no processo eleitoral em favor de Lula e vê no recuo imposto por Luiz Fux um freio institucional. Para esse enquadramento, uma tentativa de anular a vitória de Flávio Bolsonaro é até provável, mas esbarraria em limites de competência, na exigência de prova e no custo político da mobilização popular.
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Parte da direita teme que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tente reverter uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Advogados ouvidos lembram que a cassação de chapa cabe ao Tribunal Superior Eleitoral, exige prova robusta e dificilmente prosperaria por iniciativa de um só ministro.
A poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 4 de outubro, ganhou espaço em parte da direita a hipótese de que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, seja revertida por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, apenas um veículo tratou do tema, numa coluna de opinião que ouviu advogados e concluiu que uma intervenção desse tipo encontraria fortes barreiras jurídicas e políticas.
O pano de fundo são decisões recentes de ministros do Supremo em temas eleitorais. Segundo o texto, Gilmar Mendes validou o reajuste do Bolsa Família, e Flávio Dino liberou publicações sobre Nossa Senhora Aparecida que haviam sido barradas por ordem do ministro André Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE. Dino invocou as liberdades de expressão e religiosa. O ministro Luiz Fux, também do Supremo, suspendeu os efeitos dessa decisão e restabeleceu a ordem original até a deliberação do plenário. Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, reagiu ao que chamou de TSE paralelo, por entender que essas intervenções enfraquecem a autoridade da Justiça Eleitoral. Dino também mandou a Polícia Federal investigar uma suposta onda de ataques a imagens religiosas e recebeu do Partido dos Trabalhadores um pedido para apurar ingerência estrangeira na eleição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, acionou o Supremo e o TSE sobre uma alegada articulação da família Bolsonaro com o governo de Donald Trump.
Os especialistas consultados convergem em um ponto: um ministro sozinho não tem poder direto para cassar o vencedor da disputa presidencial. As ações de investigação judicial eleitoral e de impugnação de mandato são julgadas pelo TSE, e a jurisprudência exige prova robusta para reconhecer abuso de poder. O advogado Paulo Doering, especializado em controle externo, aponta limites de competência e impropriedades processuais como obstáculos. O advogado eleitoral Rodrigo Queiroga considera o cenário especulativo e avalia que uma eventual ofensiva só viria depois de um provável segundo turno, podendo alimentar uma polêmica por meses sem produzir reversão imediata. Ele lembra que desfazer uma eleição presidencial é bem mais difícil do que anular um pleito municipal ou estadual, embora o vencedor continue sujeito à apuração de abusos de campanha.
O enquadramento da coluna é crítico ao ministro. O texto fala em intervenção mal-intencionada, cita formadores de opinião que acusam Dino de agir em benefício eleitoral de Lula e contrasta sua defesa da liberdade de expressão com a atuação em casos envolvendo jornalistas. Ao mesmo tempo, reconhece que Fux não é superior hierárquico de Dino, que a suspeita de interferência estrangeira ainda depende de prova e julgamento e que a mobilização popular tende a elevar o custo político de qualquer tentativa de reverter o resultado.
Ainda não se sabe quando o plenário do Supremo vai decidir o conflito entre as decisões de Dino e Fux, nem qual será o desfecho do pedido para apurar ingerência estrangeira. A coluna não apresenta indício concreto de que alguma contestação do resultado esteja sendo preparada.
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O temor da direita de que Flávio Dino, do STF, interfira no resultado da eleição é real, mas tem pouca chance de se viabilizar.
