Grupos e lideranças de direita convocaram manifestações para pelo menos 15 cidades brasileiras no feriado de 7 de setembro, Dia da Independência, com concentrações programadas no Nordeste, no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul. Os alvos centrais anunciados para os discursos são o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até o momento, apenas um veículo cobriu a convocação com lista de horários e locais, e todos os dados desta reportagem vêm dessa cobertura de fonte única.
O ato principal foi marcado para a avenida Paulista, em São Paulo, às 15h, convocado pelo senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), com os motes “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, do MDB, articulam a presença de cerca de 300 prefeitos para ampliar a mobilização. A convocação também reúne os nomes de Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Bia Kicis, Gustavo Gayer, Julia Zanatta, Rogério Marinho e do pastor Silas Malafaia. O Partido Liberal divulgou a frase “Vamos juntos resgatar o Brasil”, embora a legenda não seja apontada como organizadora dos eventos. Antes disso, às 9h20, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, participa de uma caminhada entre a região da rua da Consolação e o Museu de Arte de São Paulo (MASP).
A lista divulgada inclui Recife, Salvador, Maceió, Ilhéus, Natal, Teresina, João Pessoa, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Volta Redonda, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Ibirama e três concentrações na capital paulista. Em Brasília, o ponto marcado é o Eixão Sul, em frente ao Banco Central; no Rio de Janeiro, a praia de Copacabana; em Salvador, o Farol da Barra.
A mobilização acontece em meio à repercussão de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, trocadas com Alexandre de Moraes. Nos diálogos divulgados, Vorcaro questionou o ministro sobre o andamento de investigações da Polícia Federal e perguntou se deveria deixar o Brasil, dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025. A saída de Moraes já havia sido pedida em manifestações na avenida Paulista em 2024 e em 2025, quando os protestos estavam ligados sobretudo ao processo sobre a tentativa de golpe de Estado, que terminou na condenação e na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como só um veículo cobriu o caso até aqui, não há contraste entre coberturas de lados diferentes para comparar. O material disponível descreve a mobilização a partir das peças de convocação dos organizadores e não registra manifestação do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal, de partidos governistas ou das prefeituras citadas.
Não se sabe quantas pessoas compareceram a cada ato, quantos dos cerca de 300 prefeitos articulados de fato estiveram na avenida Paulista e se houve mudança de horário ou de percurso. Também seguem em aberto o teor integral e o contexto das mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e a Alexandre de Moraes, a eventual resposta do ministro e do Supremo Tribunal Federal, e a reação do governo federal à pauta levada às ruas no feriado.