Uma análise da economista Zeina Latif, concedida à jornalista Juliana Rosa para o programa "Economia pra Você", da Rádio BandNews FM, propõe uma explicação pouco discutida para o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil: a disputa por terras raras. Segundo essa tese, o governo americano teria inflado artificialmente as tarifas de importação como moeda de troca política, buscando pressionar o Brasil a negociar concessões sobre a exploração desses minerais estratégicos, essenciais para a indústria de alta tecnologia e a transição energética. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial do material, atrás apenas da China, o que ajudaria a explicar por que o país se tornou o segundo mais retaliado comercialmente pelos Estados Unidos, atrás apenas dos chineses. Até o momento, apenas a Band cobriu esse ângulo específico da disputa comercial, relatando a análise da economista sem contraponto de outras fontes.
O impacto direto do tarifaço sobre a macroeconomia brasileira é limitado. As exportações do país aos Estados Unidos representam cerca de 2% do Produto Interno Bruto nacional, percentual que cai para menos de 1% quando descontados os produtos incluídos nas listas de exceção. Ainda assim, setores específicos, como máquinas, tecidos e mobiliário, sofrem impacto mais severo, e o governo brasileiro já prepara um pacote de apoio com linhas de crédito subsidiadas pelo Tesouro para preservar postos de trabalho e permitir a reorganização das cadeias produtivas afetadas.
Diante do cenário, analistas e empresários brasileiros divergem sobre a melhor resposta. Uma parte defende retaliação imediata e proporcional aos produtos americanos, mas a recomendação predominante entre especialistas ouvidos é de cautela, batizada de "sangue frio": a história recente mostra que países de menor peso econômico que confrontaram diretamente os Estados Unidos saíram prejudicados, e apenas a China teria musculatura para sustentar uma guerra tarifária simétrica com Washington. A verdadeira janela para uma negociação técnica sobre tarifas e terras raras só deve se abrir depois do fim do período eleitoral americano, segundo a análise.
O episódio também acelera a busca brasileira por diversificação de parceiros comerciais. Canadá e Japão já sinalizaram interesse em ampliar negócios com o Brasil, e especialistas apontam que o atual cenário protecionista global, embora desafiador no curto prazo, pode se transformar em oportunidade para reduzir a dependência histórica do país em relação às decisões econômicas de Washington.
O que ainda não se sabe é até que ponto a tese das terras raras é, de fato, o motor central da política tarifária americana, já que o texto se apoia na interpretação de uma única economista, sem confirmação de autoridades dos Estados Unidos ou de analistas concorrentes. Também não está claro quais concessões concretas estariam sobre a mesa numa eventual negociação, nem o cronograma político real após as eleições americanas.