
Recuperações judiciais sobem 66% e chegam a 6.341 casos com Selic a 14%
1 veículo de centro · 1 veículo de direita
Toque num lado para ler o resumo dele.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.

1 veículo de centro · 1 veículo de direita
Toque num lado para ler o resumo dele.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Descubra seu lugar no espectro político brasileiro
Criar conta e fazer o testeGrátis. Cerca de 5 minutos. Seu resultado fica salvo.
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil cresceu 66% em três anos e chegou a 6.341 casos no segundo trimestre de 2026, segundo a consultoria RGF. Varejo (21%), indústria de transformação (19,6%) e agronegócio (17,5%) concentram os pedidos. Habib's, Casas Bahia, Marabraz, Braskem, Raízen, Oncoclínicas, Grupo Toki, Grupo CVLB e St. Marché entraram este ano em recuperação judicial ou extrajudicial, e a Oi teve a falência decretada em 25 de agosto. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconhece a pressão dos juros sobre o varejo, mas nega crise generalizada. Especialistas apontam três causas combinadas: Selic a 14% ao ano, erros de gestão e mudanças no mercado de trabalho.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
341 casos no segundo trimestre de 2026, segundo a consultoria RGF. Varejo (21%), indústria de transformação (19,6%) e agronegócio (17,5%) concentram os pedidos. Habib's, Casas Bahia, Marabraz, Braskem, Raízen, Oncoclínicas, Grupo Toki, Grupo CVLB e St.
Direita
Pelo prisma à direita, a lista de grandes empresas em recuperação judicial é o retrato do custo de operar no Brasil: juros básicos em 14% ao ano, crédito escasso, carga sobre o caixa e um ambiente que empurra companhias de varejo, indústria e agronegócio para a Justiça.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
O texto apresenta o dado da consultoria RGF, dá espaço à negativa do ministro da Fazenda Dario Durigan de que haja crise generalizada e, em seguida, contrapõe a leitura de três especialistas de instituições distintas (Fundação Dom Cabral, ESPM e Performa Partners). A explicação é multicausal — juros, erros de gestão e mudanças no mercado de trabalho — e não converte o quadro em acusação ao governo nem em defesa dele. Vocabulário técnico e atribuído, sem adjetivação valorativa. Enquadramento factual de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O corpo reproduz de forma quase integral e razoavelmente sóbria a apuração original, inclusive a negativa do ministro Dario Durigan sobre crise generalizada, o que puxa o texto para o factual. O deslocamento à direita está no empacotamento e na seleção: título em caixa alta acentuando a 'crise' das grandes empresas, ordenação que abre pelos juros elevados e pelo custo do crédito, ênfase no endividamento das famílias e nos efeitos da alta da Selic, e corte dos trechos que relativizavam a responsabilidade da política econômica. O resultado é um enquadramento de accountability do governo sobre o ambiente de negócios, típico do campo à direita.
Grandes empresas de varejo, indústria e agronegócio recorreram à Justiça este ano para renegociar dívidas, e o número de companhias em recuperação judicial chegou a 6.341 no segundo trimestre de 2026. O Ministério da Fazenda nega crise generalizada; especialistas apontam juros altos, erros de gestão e mudanças no mercado de trabalho.
A lista de grandes empresas brasileiras que recorreram este ano a pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial entrou no centro do debate econômico. Habib's, Casas Bahia, Marabraz, Braskem, Raízen, Oncoclínicas, o Grupo Toki, dono de Tok&Stok e Mobly, o Grupo CVLB, que reúne Casa & Vídeo e Le Biscuit, e a rede St. Marché acionaram algum desses mecanismos em 2026. Dados da consultoria RGF, especializada em reestruturação de empresas, mostram que o número de companhias em recuperação judicial cresceu 66% em três anos e chegou a 6.341 casos no segundo trimestre de 2026. Do total, 21% estão no varejo, 19,6% na indústria de transformação e 17,5% no agronegócio.
Os dois mecanismos servem para evitar a falência. Na recuperação judicial, todas as dívidas da companhia, trabalhistas, com fornecedores e com bancos, são renegociadas sob acompanhamento da Justiça, como ocorre com a Americanas desde 2023. Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia com um grupo escolhido de credores e depois leva o acordo para homologação. Quando a Justiça conclui que não há mais como honrar os compromissos, decreta a falência, desfecho da Oi em 25 de agosto.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu em entrevista no dia 21 de agosto que o varejo é pressionado pela taxa de juros, porque o setor depende de crédito para comprar dos fornecedores e para vender ao consumidor, mas negou que haja crise generalizada e afirmou que há indicadores de desempenho positivo em vários setores. Segundo o ministro, por se tratar de período eleitoral, a oposição tenta tratar o caso como colapso de toda a economia.
Especialistas ouvidos apontam três causas combinadas. A primeira é a manutenção da taxa básica de juros em 14% ao ano, que amplia o passivo das empresas e reduz a oferta de crédito ao consumidor, num ciclo em que a Selic saiu de 2% no período da pandemia para o patamar atual. A segunda é a gestão: ao longo da última década, companhias cortaram estruturas gerenciais para reduzir custos, o que concentrou decisões em poucas mãos e tornou erros estratégicos mais caros. A terceira são as mudanças no mundo do trabalho, com menos profissionais dispostos a construir carreira dentro das empresas. Fabian Salum, pesquisador da Fundação Dom Cabral, descreve o fenômeno como de composição híbrida e longe do fim. Isabella Vasconcellos, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, lembra que decisões tomadas entre 2020 e 2021, de expansão acelerada do comércio eletrônico, ainda cobram preço, e cita dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados segundo os quais o país eliminou 322 mil vagas de gerência e diretoria entre 2020 e 2025. André Pimentel, sócio da consultoria Performa Partners, alerta que reestruturações mal calibradas destroem a capacidade de reerguer a companhia.
A cobertura de centro sustentou a explicação multicausal e deu espaço equivalente à negativa do governo, tratando o dado da consultoria como diagnóstico setorial e não como veredito político. Veículos de direita reproduziram a apuração com sobriedade no corpo, mas empacotaram o assunto como crise das grandes empresas, abrindo pelos juros elevados e pelo custo do crédito e enxugando as ponderações que relativizavam a responsabilidade da política econômica. Até o fechamento desta reportagem, nenhum veículo de esquerda havia coberto o caso; a leitura habitual desse campo, de que juros altos transferem renda do setor produtivo e das famílias endividadas para o sistema financeiro e de que o custo do ajuste recai primeiro sobre o emprego, não apareceu no noticiário deste episódio.
A divergência de fundo é sobre a causa dominante. De um lado, o quadro é apresentado como consequência do custo do dinheiro e do ambiente de negócios, com efeito eleitoral direto sobre o governo. De outro, os próprios especialistas insistem que erros de gestão, expansão acima da geração de caixa e esvaziamento da média gerência pesam tanto quanto a macroeconomia. Também há inadimplência elevada entre consumidores, com 39% da população em atraso, o que comprime as vendas.
Ainda não se sabe quantas dessas companhias vão sair da recuperação sem falir, nem qual o efeito líquido sobre o emprego: no caso da Casas Bahia, 298 lojas foram fechadas e 1.900 funcionários demitidos, com reintegração provisória determinada depois pela Justiça, sem desfecho definitivo divulgado.
A Selic em 14% ao ano encarece o crédito ao consumidor e o capital de giro do varejo, setor com 21% dos pedidos de recuperação. Quem comprou em rede em recuperação judicial, como a Casas Bahia, convive com 298 lojas fechadas e garantia renegociada na Justiça. Trabalhadores de gerência são os mais expostos: 322 mil vagas de chefia e diretoria foram eliminadas entre 2020 e 2025, com saldo negativo de 112 mil postos. E 39% da população está inadimplente, o que aperta o acesso a novo crédito.
A cobertura de centro trata a onda de recuperações como fenômeno de causas combinadas, dando peso equivalente a juros, erros de gestão e esvaziamento da média gerência, e mantém a ponderação de que o quadro não se resume à condução do governo. A cobertura de direita organiza o material como crise das grandes empresas, coloca os juros e o custo do crédito na abertura e retira as ressalvas que dividiam a responsabilidade com decisões empresariais.
As duas coberturas aceitam o mesmo núcleo factual: recuperações judiciais subiram 66% em três anos e chegaram a 6.341 casos no segundo trimestre de 2026, o varejo é o setor mais atingido, a Selic a 14% ao ano pressiona o caixa das empresas e a Oi teve a falência decretada em 25 de agosto. Ambas registram a negativa do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que exista crise generalizada.
Não há informação sobre quantas dessas empresas conseguirão sair da recuperação sem falir, nem sobre o desfecho definitivo da reintegração dos 1.900 demitidos pela Casas Bahia. Também falta projeção oficial do ritmo de queda da Selic e estimativa de novos pedidos até o fim de 2026.

Além das taxas de juros, erros de gestão, como expansão e cortes mal calculados são apontados como motivos da alta de recuperações empresariais, na Justiça ou fora dela.

Grandes empresas de diferentes setores, como Habib's, Casas Bahia, Marabraz, Braskem, Raízen, Oncoclínicas, Grupo Toki — que reúne Tok&Stok e
Perspectivas omitidas
Leia em seguida




