O dólar comercial fechou esta terça-feira, 21 de julho, em queda de cerca de 0,3%, cotado a R$ 5,073, o menor nível de fechamento desde 15 de junho. O Ibovespa encerrou o pregão praticamente estável, com recuo de 0,03%, aos 173.325 pontos, na quinta queda seguida do índice. Foi um dia de liquidez reduzida, com giro financeiro de R$ 17,9 bilhões, bem abaixo da média diária registrada no ano. No acumulado de 2026, a moeda americana já perde 7,57% frente ao real.
Os dois vetores do dia foram externos. O petróleo avançou pela terceira sessão consecutiva, com o barril do tipo Brent, referência para a estatal brasileira de petróleo, subindo cerca de 2%, para perto de US$ 91, e o WTI ganhando 2,25%, a US$ 84,34. Por trás da alta está a guerra entre Estados Unidos e Irã, que completou o décimo dia consecutivo de ataques após o fim do cessar-fogo firmado no mês passado. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, segue bloqueado, e o grupo rebelde houthi ampliou o cerco à navegação no Mar Vermelho e anunciou bloqueio naval à Arábia Saudita. O segundo vetor é comercial: os investidores operaram na véspera do início da cobrança das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, prevista para esta quarta-feira.
A cobertura de centro relatou o pregão pela ótica dos operadores, com analistas de casas de investimento apontando que a manutenção do conflito entre Estados Unidos e Irã dificulta um desempenho mais consistente do mercado brasileiro. Essa leitura detalhou o comportamento das empresas do dia: a mineradora que divulgaria produção e vendas do trimestre subiu 0,43%, a companhia de alimentos avançou 4,06% após cancelar 21,4 milhões de ações em tesouraria, e a petroleira estatal ganhou perto de 1,8% na esteira da commodity. Também registrou a curva de juros futuros em leve alta, com o contrato para janeiro de 2028 a 14,14% e o de janeiro de 2035 a 14,645%.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo dos mesmos números: a queda do dólar foi atribuída principalmente à melhora dos termos de troca de um país exportador líquido de petróleo e aos juros domésticos elevados, que continuam atraindo operações de carry trade, isto é, transferência de capital financeiro de economias avançadas para aproveitar a diferença de taxas. Nessa leitura, o real teve o segundo melhor desempenho entre as moedas emergentes no dia, atrás apenas do peso colombiano, mas o ganho vem de arbitragem financeira e de um choque geopolítico, não de fundamento produtivo interno.
Veículos de direita não trouxeram cobertura própria deste pregão até o momento; a leitura à direita dos mesmos dados enfatizaria a quinta queda seguida do Ibovespa e o giro financeiro abaixo da média como sinal de baixa atratividade do mercado doméstico, sobretudo diante da alta simultânea de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq em Nova York, puxada pelo setor de tecnologia. O custo do dinheiro apareceria como problema central: uma curva de juros ancorada acima de 14% até 2035 sustenta o câmbio, mas encarece crédito, atividade e dívida pública.
O que ainda não se sabe é o tamanho do impacto das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras a partir de quarta-feira, já que a cobertura não detalha alíquotas, setores atingidos nem volume em risco. Também segue em aberto a duração do conflito no Oriente Médio, se as negociações sinalizadas por Estados Unidos e Irã avançam, quando o Estreito de Ormuz volta a operar e se a valorização do real resiste caso o prêmio de risco do petróleo recue.