Durigan: governo vai começar a retirar o subsídio de R$ 0,44 da gasolina
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Briefing
O que importa para você
- Subsídio de R$ 0,44 por litro sai da gasolina nos próximos dias, com risco de repasse ao preço na bomba.
- Diesel: subvenção de R$ 0,35 já encerrada; resta a de R$ 1,12 por litro ainda em vigor.
- PIS-Cofins voltou a incidir e o ICMS na importação de diesel não é mais subvencionado.
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza a simetria protetiva do Estado: o governo ergueu e agora desmonta as medidas conforme as condições mudaram, escudando o consumidor.
- Direita enfatiza o custo fiscal das subvenções e a necessidade de os preços voltarem à lógica de mercado, com o Tesouro projetando ajustes no próximo governo.
Onde os lados concordam
Todos os lados reconhecem que a retirada do subsídio de R$ 0,44 da gasolina começa nos próximos dias e é justificada pela queda do barril de petróleo de volta ao patamar de US$ 70, semelhante ao período anterior à guerra no Oriente Médio.
O que ainda está incerto
- Quanto da retirada será de fato repassado ao preço final da gasolina ao consumidor.
- O cronograma exato do fim da última subvenção do diesel (R$ 1,12).
- Como uma eventual reescalada da guerra no Oriente Médio poderia reverter a política.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo federal vai começar nos próximos dias a retirar o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina. A subvenção havia sido criada em maio para proteger os consumidores brasileiros da alta internacional do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio. Com o preço do barril de volta a patamares pré-conflito, o ministro afirmou que todas as medidas emergenciais para combustíveis serão desmontadas de forma gradual nos próximos meses.
Há convergência entre os diferentes veículos sobre os fatos centrais. A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou que o processo de retirada já começou: a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel deixou de valer, e a da gasolina, de R$ 0,44, será encerrada na sequência. Permanece em vigor apenas a subvenção adicional do diesel, de R$ 1,12 por litro. Segundo a reportagem, o barril do tipo Brent voltou a ser negociado em torno de US$ 70, patamar semelhante ao observado antes da escalada do conflito, quando o valor chegou a ultrapassar US$ 110. O ministro explicou que a equipe econômica acompanha diariamente a evolução dos preços do petróleo e do mercado interno para calibrar quando os demais incentivos serão encerrados. Além da queda internacional, o governo argumenta que a reversão também busca preservar as contas públicas. Nesse contexto, o PIS-Cofins voltou a incidir sobre o combustível e o acordo com os estados para subvenção de ICMS na importação de diesel não está mais em vigor.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram a simetria da ação estatal: o governo teve prontidão para erguer as proteções no auge da crise e agora, quando as condições que as justificavam deixam de existir, reverte as subvenções de forma responsável. Nessa leitura, a intervenção do Estado cumpriu seu papel de escudo social diante de um choque externo. Já a cobertura de direita tende a enfatizar o custo fiscal dos subsídios e a necessidade de que os preços voltem à lógica de mercado. Reportagens correlatas lembram que o próprio Tesouro projeta pressão fiscal e ajustes necessários no próximo governo, reforçando a leitura de que subvenções de preço deveriam ser temporárias.
O ministro classificou a decisão como uma revisão do subsídio diante de um cenário que mudou para baixo em relação ao preço do petróleo, ressalvando que a guerra ainda traz alguma incerteza. O que ainda não se sabe é quanto da retirada será efetivamente repassado ao preço da gasolina na bomba, qual será o cronograma exato do fim da última subvenção do diesel e como uma eventual reescalada do conflito no Oriente Médio poderia reverter novamente a política.
Fontes

Ministro afirma que queda do preço internacional do petróleo reduz necessidade das medidas emergenciais adotadas durante conflito no Oriente Médio

O preço internacional do petróleo recuou ao patamar pré-guerra