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A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem nesta terça-feira (23), cumprindo nove mandados de busca e apreensão contra o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono do grupo Record. A investigação apura supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, com base em relatórios do Banco Central, e a Justiça autorizou quebra de sigilos e bloqueio de até R$ 670 milhões. O Digimais, antigo banco Renner adquirido por Macedo em 2020, tem cerca de R$ 10 bilhões em ativos, 145 mil correntistas e enfrenta deterioração financeira, com processo de venda em curso ao BTG Pactual.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 23 de junho de 2026, a Operação Miragem, que mira o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono do grupo Record. Foram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, com mais de 50 agentes, em investigação sobre supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A Justiça Federal autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados e o bloqueio de até 670 milhões de reais em bens e valores. A apuração se baseia em relatórios do Banco Central e investiga se demonstrativos contábeis e registros regulatórios teriam sido manipulados para ocultar a real situação financeira da instituição e aparentar solvência diante dos órgãos de controle.
A cobertura de centro relatou o histórico do banco com detalhamento factual. O Digimais era o antigo banco Renner, da família que fundou a varejista de roupas, e teve o controle adquirido por Edir Macedo em 2020. Com a compra, a sede foi transferida do Rio Grande do Sul para São Paulo e o foco, antes restrito ao financiamento de veículos, passou a se diversificar. Segundo dados de março de 2026 do Banco Central, a instituição tinha cerca de 10 bilhões de reais em ativos. O banco vinha em deterioração financeira: reportou prejuízo líquido de 108,35 milhões de reais no primeiro trimestre e oferecia CDBs de até 130% do CDI, acima da média de mercado, o que acendia alertas. Desde o fim de 2025, a gestão está com Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, encarregado de organizar a casa e vendê-la. Em abril, o BTG Pactual anunciou acordo para adquirir a instituição, transação que depende de aval do Banco Central e do Cade e de um acerto com o Fundo Garantidor de Créditos.
Veículos de direita enfatizaram os números do negócio. O Digimais declara carteira de crédito superior a 1 bilhão de reais e opera com 145 mil correntistas, dos quais 70% estão no Sudeste. O financiamento de veículos sustenta 52% da carteira e o crédito consignado, 42%, apoiado em mais de 69 convênios públicos para desconto em folha, com destaque para o contrato com a Prefeitura de São Paulo. Nessa leitura, o foco recai sobre a saúde da instituição e o funcionamento do mercado de crédito, com menos peso ao enquadramento político da operação.
Veículos de esquerda destacaram que a Operação Miragem amplia a crise dos bancos médios para além do caso Banco Master e a coloca no centro da eleição presidencial de 2026. Nesse enquadramento, o caso tira o debate bancário da chamada bolha bolsonarista, porque a investigação passa a alcançar também um grupo religioso e midiático influente, com ramificações no Republicanos e no ecossistema conservador. Essa cobertura recorda que a crise do Master já havia chegado ao Congresso, com a emenda atribuída a Ciro Nogueira à PEC 65/2023, o projeto de Filipe Barros, depois retirado, e o PL de Renan Calheiros, todos voltados a ampliar a cobertura do FGC. O argumento é que cobrir integralmente aplicações de risco pode transferir a conta ao consumidor de crédito e ao contribuinte, e que a resposta passa por fiscalização mais dura, um Banco Central menos capturado por interesses privados e proteção ao pequeno poupador.
A divergência de cobertura é nítida. A esquerda enfatiza a dimensão política e regulatória, tratando o episódio como teste de credibilidade financeira da eleição e como golpe na narrativa de perseguição. A direita concentra-se nos dados de negócio e no impacto sobre o crédito, sem o mesmo peso ao ângulo investigativo. A cobertura de centro mantém o registro factual sobre a operação, a aquisição e o processo de venda.
O que ainda não se sabe: a nota oficial da Polícia Federal não cita o nome da instituição, e a identificação do Digimais é atribuição jornalística. As supostas fraudes contábeis seguem sob investigação, sem detalhamento público das condutas específicas. Também permanecem em aberto o desfecho da venda ao BTG Pactual, o papel exato do FGC no financiamento da transação e o eventual impacto sobre os 145 mil correntistas.
Todos os lados confirmam que a PF deflagrou a Operação Miragem contra o Banco Digimais, de Edir Macedo, com bloqueio de até R$ 670 milhões, e que a instituição enfrenta dificuldades financeiras enquanto avança um processo de venda ao BTG Pactual.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Texto majoritariamente factual reproduzido de material da Folhapress: histórico da aquisição, dados de ativos, prejuízo, processo de venda ao BTG e papel do FGC. Apesar de publicado em veículo de viés de esquerda, a cobertura é descritiva e equilibrada, citando múltiplas fontes nomeadas sem enquadramento ideológico carregado.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Texto factual e enxuto sobre os números do Digimais (carteira de R$ 1 bilhão, 145 mil correntistas, convênios de consignado). Publicado em veículo de direita; o corpo é descritivo, mas o ambiente editorial (manchetes relacionadas críticas a Lula e ao Judiciário) e o enfoque em dados de negócio sem o ângulo de accountability situam a peça no bucket RIGHT.
Perspectivas omitidas

(Folhapress) - Alvo de nove mandados de busca e apreensão pela Operação Miragem, da Polícia Federal, nesta terça-feira (23), o Digimais teve seu controle

Alvo de operação, a instituição financeira controlada pelo Grupo Record possui 145 mil correntistas
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