Uma troca pública de farpas voltou a expor as tensões internas no campo da direita brasileira. No sábado, 13 de junho de 2026, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) usou o X, antigo Twitter, para responder a críticas do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema e chegou a sugerir um rompimento entre a família Bolsonaro e o Partido Novo.
O atrito começou quando Zema, em entrevista ao portal Brasil Paralelo, manifestou indignação com os laços entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, apontado como protagonista do escândalo do Banco Master. Para o político mineiro, 'quem anda com bandido merece ser visto com cautela'. A fala foi republicada nas redes e chegou a Eduardo, que reagiu com dureza: chamou a postura de Zema de 'vagabunda', disse que o ex-governador estaria 'consumido pela inveja' e afirmou que, por ele, romperia com o Partido Novo.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta, registrando as falas de ambos e o contexto da relação. Zema já foi mais próximo da família Bolsonaro e chegou a ser cogitado como vice na candidatura de Flávio, mas suas críticas a Vorcaro o afastaram do núcleo. Hoje, segundo o relato, a deputada Júlia Zanatta desponta como o nome mais forte para a vaga, com o aval de Eduardo.
Veículos de direita enfatizaram a leitura de deslealdade: para essa moldura, Zema teria agido por interesse próprio depois de ser preterido como vice, e a ligação de Flávio com Vorcaro, em 2024, não levantava suspeitas na época. Nesse enquadramento, Flávio seria alvo de perseguição política, não de irregularidade, e Eduardo estaria apenas defendendo a lealdade da base.
Veículos de esquerda e leituras atentas à integridade pública destacaram o outro lado: Zema teria levantado uma questão legítima sobre a proximidade de um político com um investigado por crimes financeiros, e a resposta de Eduardo recorreu ao ataque pessoal sem enfrentar o mérito. Por essa ótica, o episódio revela alianças conservadoras movidas por conveniência e reacende o debate sobre transparência e responsabilização de quem ocupa cargos públicos.
Em paralelo, no plano judicial, a Defensoria Pública da União pediu ao ministro Alexandre de Moraes o adiamento do julgamento de Eduardo Bolsonaro, argumentando que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal está com composição reduzida e sugerindo a convocação de um quinto ministro.
O que ainda não se sabe é como o Partido Novo e o próprio Zema responderão ao pedido de rompimento, se a ameaça de Eduardo terá efeito prático sobre as alianças eleitorais e qual será a decisão de Moraes sobre o adiamento do julgamento. Também permanecem em aberto os desdobramentos do escândalo do Banco Master e o real alcance do envolvimento citado.