O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu o rompimento da aliança entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o Partido Novo. A declaração veio depois que o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O estopim foi uma fala de Zema durante uma sabatina promovida pelo canal Brasil Paralelo. 'Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela', disse o ex-governador, ao condenar a conduta atribuída a Flávio. Em resposta no X, Eduardo Bolsonaro chamou a postura de 'vagabunda' e defendeu o rompimento: 'E em 2024 quem sabia quem era Vorcaro? E qual era a contrapartida que o Flávio poderia oferecer em 2024, além de sofrer perseguição? Que postura vagabunda. Critica Flávio Bolsonaro apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim, rompia geral com o Novo.'
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta, reproduzindo literalmente as falas das duas partes e identificando o pano de fundo: a associação de Flávio ao dono do Banco Master. Além de Eduardo, outros aliados reagiram. O candidato ao Senado por Santa Catarina Carlos Bolsonaro e o senador Rogério Marinho (PL-RN) atacaram publicamente Zema e o acusaram de oportunismo político.
Veículos de direita enfatizaram que Zema agiria por interesse eleitoral, buscando viabilizar a própria candidatura presidencial às custas do desgaste de um aliado, e destacaram que até recentemente Zema e Flávio eram apontados como possíveis parceiros de uma composição conservadora para 2026. Nesse enquadramento, a crítica de Zema soa como deslealdade ao campo, e o rompimento aparece como reação legítima a uma traição interna.
Veículos de esquerda tenderiam a ler o mesmo episódio por outro ângulo: o do discurso anticorrupção da direita contradito pela própria relação de uma de suas lideranças com um banqueiro sob suspeita. Nessa leitura, a resposta dos aliados de Bolsonaro, centrada em ataque pessoal e não em esclarecimento, expõe que a coesão do campo depende mais da divisão de espólios eleitorais do que de princípios declarados.
O episódio, em todas as coberturas, escancara a disputa pela liderança da direita brasileira rumo a 2026. De um lado, Zema tenta consolidar seu nome nacionalmente; de outro, os aliados de Jair Bolsonaro tentam preservar a influência sobre o eleitorado conservador e o protagonismo na oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O que ainda não se sabe é a resposta de Zema aos ataques dos aliados de Bolsonaro, o teor concreto e as consequências da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro que motivaram a crítica, e se a sugestão de rompimento se traduzirá em uma ruptura formal entre o PL e o Novo ou se ficará no plano da retórica eleitoral.