El Niño ameaça hidrelétricas enquanto Ministério de Minas e Energia reforça térmicas
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A previsão de um El Niño de intensidade muito forte no segundo semestre de 2026 mudou o cálculo de risco do setor elétrico e do agronegócio brasileiros. O Centro de Previsão Climática da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, atribui 69% de probabilidade a que o evento seja o mais intenso desde 1950. O Instituto Nacional de Meteorologia projeta chuva acima da média no Sul e abaixo da média no Norte e no Nordeste a partir de outubro. O Operador Nacional do Sistema registra o subsistema Sudeste/Centro-Oeste com 61,16% da capacidade de armazenamento, o Sul com 84,38%, o Nordeste com 80,80% e o Norte com 86,81%. O Ministério de Minas e Energia aponta o leilão de reserva de capacidade de março, que contratou 501 MW, como principal medida de segurança, e o governo antecipou para setembro a operação de cinco termelétricas, somando 1,8 GW ao sistema. No agronegócio, o milho concentra o maior risco de perda de produtividade na safra 2026/27.
O El Niño chega como teste de eficiência para um sistema elétrico que depende de água e para empresas que já se anteciparam ao risco. Com quase 90% da matriz baseada em fontes renováveis, o Brasil convive com a intermitência da geração eólica e solar, e a garantia de energia nos horários de pico segue sendo térmica: o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro afirma que as termelétricas devem seguir como principal reforço na ponta, com oferta assegurada pelo leilão realizado em março.
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Os dois blocos de cobertura tratam o El Niño de intensidade muito forte como cenário provável, com risco concentrado na redução de chuva no Norte e no Nordeste, e registram que setor elétrico e agronegócio já adotaram medidas antecipadas, seja pela contratação de oferta térmica, seja por estoque, irrigação e proteção financeira nas empresas.
O El Niño de 2026 pode ser o mais intenso desde 1950, segundo a agência climática dos Estados Unidos. O fenômeno reduz a chuva prevista para o Norte e o Nordeste, pressiona os reservatórios das hidrelétricas e levou o governo federal a antecipar para setembro a entrada em operação de cinco termelétricas. No agronegócio, o milho concentra o maior risco de quebra de safra na temporada 2026/27.
O aquecimento das águas do Pacífico equatorial que caracteriza o El Niño entrou no centro das projeções para o segundo semestre de 2026 e já move duas frentes da economia brasileira: o equilíbrio do sistema elétrico e o custo das principais lavouras. O Centro de Previsão Climática da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, calcula em 95% a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro e em 69% a probabilidade de ser o mais intenso desde 1950, início da série histórica da agência.
A cobertura de centro relatou o efeito direto dessa previsão sobre a operação do sistema elétrico. O Instituto Nacional de Meteorologia projeta chuva acima da média no Sul e abaixo da média no Norte e no Nordeste a partir de outubro. O Operador Nacional do Sistema registra o subsistema Sudeste/Centro-Oeste com 61,16% da capacidade de armazenamento, o Sul com 84,38%, o Nordeste com 80,80% e o Norte com 86,81%, e alertou em julho que o cenário mais desfavorável para o Sudeste e o Centro-Oeste é de chuva abaixo da média, com impacto nos lagos das hidrelétricas na primavera. Ao mesmo tempo, o operador prevê céu claro e ventos mais intensos no Nordeste, o que favorece a geração solar e eólica e pode reduzir o corte de geração hoje imposto por excesso de energia no sistema. O Ministério de Minas e Energia aponta o leilão de reserva de capacidade realizado em março, que contratou 501 MW, como uma das principais medidas de segurança, e admite despacho térmico adicional em caso de necessidade. No fim de julho, o governo antecipou para setembro a entrada em operação de cinco termelétricas, somando 1,8 GW ao Sistema Interligado Nacional.
Os dois blocos de cobertura convergem em pontos centrais: o evento climático é considerado provável e forte, os reservatórios do Norte e do Nordeste são o ponto de atenção, e nem o setor elétrico nem o agronegócio esperam parados. Convergem também no diagnóstico de que a resposta imediata passa por oferta já contratada, seja de energia térmica, seja de estoque e proteção financeira no campo.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo empresarial e de mercado. Segundo essa cobertura, o milho é a cultura mais vulnerável da safra 2026/27, com risco concentrado em Mato Grosso, e investidores já reduzem exposição às companhias mais expostas. A SLC Agrícola chega ao evento com irrigação ampliada e calendário de plantio mais disciplinado, decidindo gradualmente sobre fertilizante e defensivo para não gastar onde a produtividade não se confirmar. A MBRF estendeu posições de hedge de grãos, com estoque físico e contratos a termo, para garantir abastecimento diante da possibilidade de preços mais altos. Na outra ponta, o arroz pode ver preços melhores em 2027 e temperaturas acima da média podem estimular o consumo de bebidas no terceiro e no quarto trimestres. O enquadramento é o da adaptação privada e da disciplina de capital, agravada por juros elevados que pressionam a alavancagem de quem comprou terra.
Veículos de esquerda não haviam tratado do assunto até o fechamento desta reportagem, e o ângulo ausente é justamente o distributivo: quem paga a conta do reforço térmico. Dos 501 MW contratados em março, 80% vêm de usinas a óleo combustível e diesel, a fonte mais cara e mais poluente da matriz, e o custo do acionamento costuma chegar ao consumidor pela tarifa. As regiões com previsão de menos chuva, Norte e Nordeste, são também as mais expostas socialmente à estiagem.
O contraste entre os dois blocos de cobertura está menos no fato e mais no sujeito. A cobertura de centro trata o El Niño como problema de planejamento e operação do Estado, com órgão regulador, ministério e associações setoriais disputando a ênfase entre térmicas e renováveis. A de direita trata o mesmo fenômeno como variável de risco em carteira, medida por preço-alvo de ação e posição de hedge.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há estimativa pública do custo do despacho térmico adicional nem indicação de efeito sobre bandeiras tarifárias e conta de luz. Não se conhece o volume de chuva que efetivamente cairá no período úmido, entre dezembro e março, que determina a situação dos reservatórios no início de 2027. Também não há projeção consolidada de quebra de safra do milho, apenas a avaliação de que o impacto ainda não foi incorporado às estimativas de consenso do mercado.
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