O presidente Luiz Inácio Lula da Silva almoçou em 26 de agosto de 2026 com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, no Palácio da Alvorada, e saiu do encontro com um acordo sobre o que o Congresso Nacional vai votar na semana de 31 de agosto a 4 de setembro. É o chamado esforço concentrado, a última janela ampla de deliberação antes de o calendário eleitoral tomar conta do Legislativo.
Cinco propostas foram fechadas. A PEC 221/2019 acaba com a escala 6x1 e reduz de forma progressiva a jornada máxima para 40 horas semanais, com dois dias de repouso semanal remunerado; aprovada pela Câmara, está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado sob relatoria do senador Omar Aziz. A PEC 18/2025, da Segurança Pública, redistribui competências entre União, estados e municípios e cria mecanismos de financiamento, entre eles a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de Segurança Pública e do sistema penitenciário; o relator na comissão é o senador Rogério Carvalho. A Medida Provisória 1.357/2026 suspende o Imposto de Importação de 20% sobre remessas internacionais de até 50 dólares, a chamada taxa das blusinhas, e perde a validade em 8 de setembro. O PL 2.780/2024 institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com um conselho vinculado à Presidência da República. E o PL 278/2026 cria o Redata, regime especial de tributação para serviços de data center, com contrapartidas de energia limpa, pesquisa e inovação.
A cobertura converge no essencial: houve acordo entre Executivo e Legislativo, a lista tem cinco itens e o prazo é curto. Veículos de esquerda destacaram a pauta trabalhista e o argumento de soberania sobre os recursos minerais, reproduzindo a fala de Lula de que a riqueza mineral pertence ao Brasil e precisa reverter em benefício da população, além da expectativa de 500 bilhões de reais em investimentos associados ao setor. A cobertura de centro ateve-se ao relato factual do encontro, aos números das proposições, aos nomes dos relatores e ao rito de tramitação na Câmara e no Senado. Veículos de direita enfatizaram o fim da taxa das blusinhas como alívio de custo para o consumidor e para as empresas brasileiras que vendem em plataformas internacionais, e deram peso à promessa presidencial de criar um Ministério da Segurança assim que a emenda constitucional for aprovada.
A diferença aparece no que cada lado trata como item principal da semana. De um lado, a redução da jornada de trabalho e a segurança pública como política de Estado com financiamento próprio. De outro, a desoneração da compra internacional e o escrutínio sobre a criação de uma nova pasta federal e sobre os incentivos fiscais concedidos aos data centers em ano eleitoral.
O que ainda não se sabe é se as cinco matérias cabem numa única semana. A comissão mista que analisa a medida provisória da taxa das blusinhas ainda não foi instalada, com a Câmara responsável por indicar o presidente e o Senado, o relator. O Redata segue sem relator definido e acumula 22 emendas. Não há indicação de placar garantido para as duas emendas constitucionais, que exigem votação em dois turnos no Senado, nem detalhamento de qual fatia da arrecadação das apostas esportivas iria para os fundos de segurança. Também não foi divulgado o custo fiscal da suspensão do imposto sobre remessas internacionais nem o da renúncia prevista no regime especial para data centers.