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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, apresentou a representantes de dezesseis institutos de pesquisa uma minuta de portaria que cria o 'Selo Acurácia Eleitoral', reconhecendo empresas cujas pesquisas mais se aproximem dos resultados oficiais das urnas. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta, afirmando que ela confunde a função de uma pesquisa, medir a intenção de voto num momento específico, com uma previsão de resultado. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, também se posicionou contra a ideia durante a reunião no TSE, em Brasília.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou nesta terça-feira, em Brasília, a representantes de dezesseis institutos de pesquisa uma proposta para criar o chamado 'Selo Acurácia Eleitoral'. A ideia, formulada pelo presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, é reconhecer publicamente as empresas cujas pesquisas mais se aproximarem dos resultados oficiais das urnas em cada eleição.
A cobertura de centro relatou que a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) reagiu de forma crítica à proposta. Em nota, a entidade afirmou que a iniciativa parte de uma compreensão equivocada sobre a função das pesquisas eleitorais: segundo a ABEP, os levantamentos medem a intenção de voto no momento em que são feitos, e não constituem previsão do resultado final. 'Exigir que uma pesquisa acerte o resultado é confundir ciência com bola de cristal', disse a associação. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, confirmou que o instituto também se posicionou contra a proposta durante a reunião no TSE.
Veículos de direita, por sua vez, enquadraram o episódio como continuidade de uma atuação já polêmica de Nunes Marques à frente do tribunal eleitoral. Em coluna publicada na Veja, o jornalista José Casado lembrou que, no início de junho, o ministro havia proibido a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel em parceria com a agência Bloomberg, atendendo a pedido do senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República. A sondagem mostrava queda do candidato após a revelação de seus negócios com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso por fraudes financeiras bilionárias. Para essa leitura, o novo selo repete o mesmo padrão de intervenção judicial sobre o trabalho dos institutos, em contradição com o artigo 220 da Constituição, que veda censura de natureza política, ideológica ou artística. A coluna também menciona que, dentro do próprio TSE, juízes teriam apelidado ironicamente a proposta de 'selo K', em referência ao primeiro nome do ministro, entendendo-a como tentativa de conter danos à imagem do tribunal após o episódio de censura.
Até o fechamento desta reportagem, não foi identificada cobertura de veículos de esquerda especificamente sobre o caso; a discussão, no entanto, dialoga com preocupações mais amplas sobre transparência institucional e autonomia de entidades de interesse público diante de decisões do Judiciário eleitoral.
Os dois lados convergem num ponto: a proposta do TSE ainda é uma minuta, sem data definida para entrar em vigor, e a reação dos institutos foi unânime até aqui. O que ainda não se sabe é como o TSE pretende responder às críticas, se a proposta será revista antes de ser formalizada e se o episódio de censura de junho terá desdobramentos institucionais adicionais dentro do tribunal.
Institutos de pesquisa (ABEP e Datafolha) rejeitam a proposta do TSE por considerá-la uma confusão entre pesquisa de intenção de voto e previsão de resultado eleitoral; a minuta foi apresentada em reunião fechada com 16 institutos em Brasília.
2 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Reportagem factual baseada em nota da ABEP e em declaração nominal da diretora do Datafolha, sem adjetivação própria da redação, citando ainda a minuta obtida pelo g1. Falta contraponto oficial do TSE, mas o texto não editorializa.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Coluna de opinião assinada que enquadra a nova proposta como continuidade de um ato de censura anterior, cita o artigo 220 da Constituição e emprega ironia para desqualificar a iniciativa; enfatiza liberdade de expressão e accountability institucional, sem contraponto do TSE.
Perspectivas omitidas

Institutos de pesquisas eleitorais criticam proposta do TSE de criar selo de acerto e afirmam que levantamentos medem o momento, não o resultado final das urnas.

Empresas acham que presidente do TSE confunde pesquisa com previsão de resultado eleitoral
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