A disputa pelo governo do Paraná entrou na fase de rua depois que a campanha eleitoral de 2026 foi oficialmente aberta em 16 de agosto em todo o país. Desde essa data, candidatos podem pedir voto, realizar comícios e caminhadas, participar de debates e divulgar propostas em rádio, televisão e internet, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. No estado, os partidos registraram oito nomes na corrida ao governo: Adriano Teixeira, do PCO; Alexandre Salomão, do Mobiliza; Luiz França, do Missão; Requião Filho, do PDT; Samuel Mattos, do PSTU; Sandro Alex, do PSD; Sérgio Moro, do PL; e Tayná Miessa, do UP.
A cobertura de centro, responsável por praticamente todo o material disponível sobre o tema, acompanhou dia a dia a agenda de dois desses candidatos. No sábado, 22 de agosto, Sandro Alex, do PSD, esteve em Cascavel, no Oeste do estado, onde visitou o Sindicato Rural da cidade e participou de lançamentos de candidaturas, antes de seguir para Guarapuava, na região central, para um evento tradicional de gastronomia. No domingo, 23, o candidato ficou em Curitiba: participou do lançamento da candidatura de Maria Victoria a deputada estadual, almoçou com vereadores da capital e visitou um evento nacional de valorização da vida e apoio aos jovens. Na segunda-feira, 24, a agenda na capital reuniu representantes da cultura, um encontro com o G7, grupo que congrega sete entidades representativas do setor produtivo, gravações do programa eleitoral, lançamentos de candidaturas de correligionários e um jantar com empresários.
No mesmo dia, Requião Filho, do PDT, também concentrou compromissos em Curitiba. Segundo os registros, ele participaria da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a Alep, reuniria-se com representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná, o Sinduscon-PR, e gravaria materiais de campanha.
Os relatos convergem no essencial: são agendas de aproximação com setores organizados da economia e da sociedade civil, sem anúncio de propostas de governo. Veículos de direita não produziram reportagem própria sobre a corrida paranaense no material reunido. A única peça desse campo é uma ficha de candidatura alimentada por dados do Tribunal Superior Eleitoral, referente a um candidato a deputado estadual de Mato Grosso, sem relação com a disputa estadual tratada pelos demais registros. Veículos de esquerda também não registraram cobertura própria dessas agendas, de modo que ângulos como a ausência de encontros com centrais sindicais, movimentos de moradia ou entidades de trabalhadores ficaram sem contraponto editorial. O resultado é uma leitura quase inteiramente factual, de serviço, em que o leitor sabe onde o candidato esteve, mas não o que ele defendeu.
O que ainda não se sabe é justamente o conteúdo desses compromissos. Nenhum registro traz o que foi discutido nas reuniões com empresários, com o setor da construção civil ou com representantes da cultura, tampouco compromissos assumidos, prazos ou valores. Também não há, no material disponível, agenda das outras seis candidaturas registradas, nem pesquisas de intenção de voto que permitam medir a força de cada campanha neste início de disputa. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, e o segundo turno, se for necessário, para 25 de outubro.