
Dez anos após impeachment, PT faz aliança com 11 que derrubaram Dilma Rousseff
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Dez anos depois de o Senado cassar o mandato de Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, o Partido dos Trabalhadores apoia nas eleições de outubro de 2026 ao menos 11 políticos que votaram a favor do impeachment. A lista inclui candidatos ao Senado e à Câmara e nomes que integram articulações eleitorais do partido nos estados, vários deles hoje na base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que continua classificando o processo como golpe.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
Dez anos depois de o Senado cassar o mandato de Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, o Partido dos Trabalhadores apoia nas eleições de outubro de 2026 ao menos 11 políticos que votaram a favor do impeachment.
Direita
A composição do Partido dos Trabalhadores com 11 políticos que votaram pela cassação de Dilma Rousseff expõe, nessa leitura, o esvaziamento do discurso do golpe. Se o afastamento tivesse sido ruptura institucional, o partido não estaria dez anos depois apoiando à reeleição parlamentares que a aprovaram, entre eles o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e a ex-ministra Simone Tebet.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
O texto sustenta a manchete com lista nominal, siglas, estados e resultados de votação (367 a 137, 55 a 22, 61 a 20), e atribui a palavra golpe a Lula entre aspas em vez de assumi-la ou negá-la. O bloco histórico descreve o rito de 2016, a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e a vitória de Lula em 2022 sem vocabulário valorativo, o que caracteriza cobertura factual de centro apesar do enquadramento implícito de contradição.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O texto adota vocabulário de accountability à direita: chama o rito de processo constitucional de impeachment, trata golpe como suposto e atribui a palavra ao PT. Amplia a lista com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e a ex-senadora Simone Tebet, o que reforça a tese da incoerência governista, e cerca a matéria de links críticos ao governo sobre dívida pública em 82,5% do PIB e reprovação de 51%. O enquadramento é claramente de direita, ainda que os fatos citados sejam corretos.
Perspectivas omitidas
Uma década depois do julgamento que afastou Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores chega às eleições de outubro aliado a ao menos 11 políticos que votaram pela cassação, incluindo senadores do MDB e o presidente da Câmara dos Deputados. A leitura de centro e a de direita divergem sobre o que essa aliança revela do discurso do partido a respeito do processo de 2016.
Dez anos depois de o Senado cassar o mandato de Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, o Partido dos Trabalhadores chega às eleições de outubro de 2026 apoiando ao menos 11 políticos que votaram a favor do impeachment da ex-presidente. O levantamento que originou a repercussão lista nomes que hoje integram a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso e em palanques estaduais, entre candidatos ao Senado, à Câmara e a governos.
Entre os citados estão os senadores Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, que presidia o Senado durante o julgamento e votou pela condenação; Eduardo Braga, do MDB do Amazonas; Omar Aziz, do PSD do Amazonas; Veneziano Vital do Rêgo, do MDB da Paraíba; e Eliziane Gama, hoje filiada ao PT do Maranhão. Também aparecem o deputado Pedro Paulo, do PSD do Rio de Janeiro, que votou pela abertura do processo na Câmara e participou do primeiro comício de Lula na capital fluminense, a ex-senadora Simone Tebet, que votou pela cassação quando era filiada ao MDB e agora disputa uma vaga pelo PSB de São Paulo, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, que declarou apoio à reeleição de Lula.
A cobertura de centro tratou o caso como retrato do rearranjo das alianças e reconstituiu os três marcos do processo de 2016: a autorização pela Câmara, por 367 votos a 137, em 17 de abril; a admissibilidade no Senado, por 55 a 22, em 12 de maio, que afastou Dilma Rousseff e empossou Michel Temer; e a condenação final, por 61 votos a 20, em 31 de agosto. Essa cobertura registrou que Lula segue chamando o episódio de golpe ao mesmo tempo em que grava material de campanha com quem votou pela saída da ex-presidente, e lembrou que ela não ficou inelegível, disputou o Senado por Minas Gerais em 2018 sem se eleger e preside desde 2023 o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, com sede em Xangai.
Veículos de direita deram outro peso ao mesmo conjunto de fatos e enfatizaram a distância entre discurso e prática. Descreveram o rito de 2016 como processo constitucional e trataram a palavra golpe como alegação do partido, não como descrição do que ocorreu. Nessa leitura, a aliança com antigos adversários indica que a acusação de ruptura institucional funciona como recurso retórico e cede quando a conveniência eleitoral aparece. Essa cobertura acrescentou à lista nomes de peso institucional, como o do presidente da Câmara e o da ex-ministra do Planejamento e Orçamento, e cercou a matéria de referências críticas ao desempenho fiscal e à popularidade do governo.
Até o momento, veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do levantamento, de modo que o argumento mais frequente nesse campo não aparece no conjunto analisado: o de que o impeachment foi ruptura contra um mandato eleito e o de que a composição parlamentar ampla é exigência de governabilidade num Congresso fragmentado, sem a qual o Executivo não aprova Orçamento nem sustenta programas.
Os dois enquadramentos partem de um mesmo núcleo factual que não está em disputa: os votos de 2016 são registro público, os nomes apoiados são identificáveis e a palavra golpe continua sendo usada por Lula. A divergência está no que esse conjunto significa, se pragmatismo necessário para governar ou abandono do princípio que o partido invoca há uma década.
O que ainda não se sabe é quanto desse apoio se converte em ato formal. Não há detalhamento sobre quais dos 11 nomes constam de coligações registradas, quais recebem apenas aceno público e quais dividem palanque estadual com o PT. Também não há resposta pública do partido nem dos políticos citados sobre a incoerência apontada, nem informação sobre como essas alianças devem se refletir na formação da base parlamentar depois de outubro.
Toda a cobertura converge no núcleo factual: ao menos 11 políticos que votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016 recebem apoio do PT e de Lula nas eleições de outubro de 2026, entre eles Renan Calheiros, Eduardo Braga, Omar Aziz e Veneziano Vital do Rêgo. Também há acordo sobre o rito de 2016, sobre os placares das votações e sobre o fato de Dilma Rousseff não ter ficado inelegível.

Alianças para 2026 aproximam o partido de antigos adversários da ex-presidente e que hoje integram a base de Lula. Leia no Poder360.

Entre os nomes apoiados por Lula, estão Renan Calheiros, Hugo Motta, Omar Aziz e Simone Tebet
Falácias identificadas
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