O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usar o pronunciamento em cadeia nacional do Dia da Independência para dizer que "não somos nem seremos colônia de ninguém" e para defender a soberania do país sobre as próprias riquezas. A peça foi gravada no Palácio da Alvorada e será veiculada na noite deste domingo, 6 de setembro, véspera do 7 de Setembro. Por se tratar de período eleitoral, o governo precisou de autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedida pela Advocacia-Geral da União (AGU) e concedida na sexta-feira, 4 de setembro.
Segundo o texto liberado pela Justiça Eleitoral, Lula não citará nominalmente os Estados Unidos nem o presidente norte-americano Donald Trump, mas fará críticas indiretas ao tarifaço ao afirmar que "nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender". O discurso associa soberania à proteção dos recursos naturais: menciona que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, a maior fonte de água doce e uma nova reserva de petróleo descoberta no último mês, riquezas que, no texto, devem servir ao futuro do povo brasileiro.
Um segundo eixo do pronunciamento é social. O presidente define independência como viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com mais direitos para todos e menos privilégios, vocabulário recorrente em suas gestões. A palavra soberania, mote do governo desde a entrada em vigor do tarifaço, aparece definida como a capacidade de um país defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.
Até o momento, apenas um veículo teve acesso ao conteúdo do discurso e cobriu o caso, o que limita a comparação de enquadramentos. Essa cobertura, de perfil factual e de centro, tratou o pronunciamento como peça de governo e de campanha ao mesmo tempo, registrando que o presidente é candidato à reeleição e que a autorização do Tribunal Superior Eleitoral foi necessária justamente por causa do calendário eleitoral. Não há, até aqui, cobertura de veículos de esquerda nem de veículos de direita sobre o texto do pronunciamento, de modo que as leituras que costumam acompanhar esse tipo de fala, a defesa da soberania nacional diante de pressão externa de um lado e a contestação do uso da cadeia nacional por um candidato de outro, ainda não estão registradas no material disponível.
O que ainda não se sabe é se haverá pedido de direito de resposta por parte da oposição, qual será a duração da peça e se o presidente mencionará a eleição de outubro. O texto integral não foi divulgado, apenas trechos, e não há detalhamento sobre os termos da decisão que liberou a transmissão. Também segue em aberto como o governo pretende transformar a defesa das terras raras em política concreta, já que o pronunciamento não trata de regras de exploração, prazos, marco regulatório ou eventuais restrições a investidores estrangeiros, nem indica qualquer efeito prático sobre a disputa comercial que originou o tarifaço.