O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pré-candidato Fernando Haddad fecharam, em reunião no Palácio da Alvorada, a composição da chapa do campo governista ao governo de São Paulo nas eleições de 2026. Haddad, do PT, será o cabeça de chapa. Márcio França, do PSB, ficou com a vaga de vice. As duas candidaturas ao Senado pelo estado serão das ex-ministras Simone Tebet, do PSB, e Marina Silva, da Rede. Também participaram das articulações o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PSB, João Campos, e o presidente do PT, Edinho Silva.
A cobertura de centro relatou que o encontro foi marcado por gestos de desprendimento. Segundo essa apuração, tanto França quanto Tebet e o próprio Haddad se colocaram à disposição para ocupar a vice ou disputar o Senado, caso o grupo avaliasse outro nome mais competitivo para encabeçar a disputa. Haddad afirmou ter entrado na corrida para vencer, mas disse estar desprendido. Tebet admitiu não ter condições de concorrer ao governo paulista. França contou que havia testado cenários e chegou a considerar uma candidatura própria, mas concluiu que duas candidaturas governistas enfraqueceriam o grupo e acabou aceitando a vice.
Os veículos convergem sobre o contexto que destravou o acordo. Nas semanas anteriores, as desistências de Paulo Serra, do PSDB, e de Kim Kataguiri, do Missão, reduziram o campo de pré-candidatos. Isso abriu espaço para que França ensaiasse uma candidatura ao governo, movimento que lideranças petistas trataram como estratégia do PSB para medir repercussão e classificaram internamente como ideia que não prosperaria. A avaliação dominante no campo governista é que ter Tebet e Marina concorrendo ao Senado dá a Haddad uma chapa mais forte do que a de 2022, quando ele perdeu no segundo turno para Tarcísio de Freitas. Um dos objetivos declarados do arranjo é evitar que a eleição se encerre logo no primeiro turno.
Há diferenças de ênfase entre as coberturas. Veículos de esquerda destacaram a leitura de unidade: uma frente ampla progressista que supera disputas internas em nome de um projeto coletivo no maior colégio eleitoral do país, com quadros de peso abrindo mão de protagonismo pessoal. Já veículos de direita enfatizaram o protagonismo de Lula na distribuição dos cargos e o fato de Tebet e Marina terem feito carreira em outros estados, Mato Grosso do Sul e Acre respectivamente, antes de transferirem o domicílio eleitoral para São Paulo. Nesse enquadramento, ganhou relevo também a ação do PL no Tribunal Superior Eleitoral, que pede a suspensão de propagandas do governo Lula sob alegação de estouro do teto de gastos com publicidade institucional em ano eleitoral.
O que ainda não se sabe é o calendário de formalização. As candidaturas dependem de resoluções internas dos partidos e de convenções, previstas para os meses seguintes. Também permanece em aberto como o campo de Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição, vai responder ao rearranjo adversário, já que nenhuma das matérias trouxe reação do bloco governista estadual ao fechamento da chapa de Haddad.