Operação Crédito Oculto faz buscas em 32 locais e atinge Banco Genial
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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A Operação Crédito Oculto expôs, na leitura de veículos de esquerda, como dinheiro do crime organizado e de um banco liquidado desembocou na produção do filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre Investimentos, administradora do Grupo Entre, recebia recursos tanto do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, quanto de organizações criminosas, e que a mistura em uma mesma estrutura dificulta rastrear origem e destino do dinheiro. O delator Antônio Carlos Freixo Júnior relatou entregas de dinheiro em espécie dentro de malas, destinadas ao pagamento de propinas, e sete transferências apresentadas como subscrições de cotas a um fundo nos Estados Unidos, o Havengate, que somaram US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025. Para esse enquadramento, o caso mostra que a fiscalização do sistema financeiro e do setor de combustíveis precisa de Estado presente: sem supervisão, bancos e fundos privados se tornam a engrenagem que converte dinheiro do tráfico em patrimônio, usina e propaganda política.
A Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto, cumpriu buscas em 32 locais de onze cidades de seis estados e do Distrito Federal em 24 de setembro, contra 40 alvos suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro da chamada máfia dos combustíveis, com ligações apontadas com o Primeiro Comando da Capital.
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A cobertura converge em três pontos: a Operação Crédito Oculto é a terceira fase da Carbono Oculto e atingiu o sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, o delator Antônio Carlos Freixo Júnior e o Grupo Entre; US$ 12,33 milhões saídos dessa estrutura financiaram o filme Dark Horse; e a apuração é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo com Receita Federal e Polícia Federal.
A Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, cumpriu buscas em 32 locais de seis estados e do Distrito Federal contra 40 alvos, entre eles o sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, e o Grupo Entre, apontado como a estrutura que enviou US$ 12,33 milhões ao filme Dark Horse. Esta análise reúne o que a cobertura de esquerda, de centro e de direita registrou.
Promotores, policiais e auditores fiscais cumpriram buscas em 32 locais de onze cidades de seis estados e do Distrito Federal na manhã de 24 de setembro, na Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação tem 40 alvos e apura o esquema de lavagem de dinheiro atribuído à chamada máfia dos combustíveis, acusada de manter ligação com o Primeiro Comando da Capital. Entre os alvos estão o sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e delator do Banco Master, e o Grupo Entre, apontado como a estrutura usada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As buscas foram pedidas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, com participação da Receita Federal e da Polícia Federal. Os endereços estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.
A cobertura de centro relatou em detalhe o desenho financeiro que os promotores descrevem. A investigação parte de contratos, mensagens e áudios apreendidos na primeira fase da Carbono Oculto e sustenta que a arquitetura permitiu esconder quem comprou, em 2024, a distribuidora de combustíveis Terrana, nome fantasia da Tobrás, que na época tinha faturamento mensal de R$ 445 milhões e capital social de R$ 245 milhões. A aquisição pode ter custado até R$ 153 milhões. Dinheiro da usina sucroalcooleira Itajobi passou por um fundo transferido para administração do Banco Genial, virou um certificado de depósito bancário vinculado e voltou como cédula de crédito bancário às holdings Branson e Berna, que assinaram a compra. Ao todo, segundo o Ministério Público, nove fundos de investimento e 27 empresas participaram do arranjo, e 16 delas tiveram bens tornados indisponíveis por decisão judicial. Os promotores afirmam que o banco se ofereceu como estrutura financeira fraudulenta e seria remunerado pelos contratos dissimulados. Um executivo do mercado, Paulo Narcélio Simões do Amaral, teria emprestado o nome às holdings em troca de 0,75% da operação e de R$ 100 mil mensais. Procuradas, as defesas dos investigados não foram localizadas.
Veículos de esquerda destacaram outro fio da mesma apuração: a origem do dinheiro que chegou ao filme sobre Jair Bolsonaro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no mesmo dia que a Entre Investimentos, administradora do Grupo Entre, recebia recursos tanto do Banco Master quanto de organizações criminosas, e que a concentração em uma mesma estrutura dificulta identificar a origem e o destino dos valores. Nas palavras dele, o recurso que dá liquidez às operações parece vir de um mesmo bolso. Essa cobertura recuperou também o depoimento do delator, que assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto: ele disse ser responsável por gerar dinheiro em espécie para pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, com entregas em malas destinadas a propina, e relatou sete transferências apresentadas como subscrições de cotas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, que somaram US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025.
Veículos de direita não registraram o caso até o momento, o que deixa sem cobertura própria o ângulo que costuma organizar essa leitura: a distorção da livre concorrência no setor de combustíveis, a falha de supervisão que precedeu a liquidação da Reag Investimentos e do grupo Entrepay pelo Banco Central e a cautela quanto à presunção de inocência enquanto nenhuma defesa se manifestou. Esse é o ponto cego da história neste momento.
Há lacunas relevantes. O próprio ministro afirmou que a apuração ainda precisa separar o que é recurso do Banco Master, o que vem do crime organizado e o que veio de operações investigadas em outras frentes pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal. Não se sabe qual parcela dos US$ 12,33 milhões foi efetivamente aplicada na produção do filme, nem quem responde por ela. Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, apontados como líderes da organização, seguem foragidos desde agosto de 2025. E nenhuma das pessoas e empresas citadas apresentou versão pública sobre as acusações.
Dario Durigan afirmou que recursos do crime organizado e do Banco Master teriam circulado pelo mesmo grupo empresarial; dono da Entre Investimentos, Antônio Carlos Freixo Júnior, é delator no caso Master

