O Supremo Tribunal Federal encerrou na terça-feira, 15 de setembro, sem uma definição, a sessão convocada para analisar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista durante a discussão de uma questão de ordem que definiria se os casos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça deveriam ser julgados em conjunto. Antes da interrupção, o placar estava em 4 a 3 contra a reunião dos processos, e a Corte não chegou ao mérito.
Até o momento, apenas um veículo cobriu em detalhe o desdobramento da sessão no Senado Federal, relatando que a falta de desfecho aumentou a mobilização de parlamentares contra o Supremo. A sessão expôs o racha entre os ministros. Moraes chamou a investigação de fraudulenta e criticou a atuação de Mendonça. Gilmar Mendes apontou viés político-eleitoral na condução do caso, e Mendonça rebateu as acusações.
No Senado, a senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal e presidente da Comissão de Direitos Humanos, abriu uma reunião do colegiado para acompanhar o julgamento, a pedido do senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe. Depois da sessão, Damares disse que o pedido de vista apenas adiava o desgaste e afirmou que haveria reflexos eleitorais. Ela encaminhou um requerimento para que a Comissão de Constituição e Justiça crie um grupo de trabalho encarregado de apresentar, em 60 dias, uma reforma do Poder Judiciário. Entre as ideias citadas estão mudanças no tempo de permanência dos ministros, na forma de escolha, nas decisões monocráticas e em instrumentos de controle da conduta dos magistrados.
A pressão recai também sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá. Um dia antes do julgamento, o líder da oposição, Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, propôs que o impeachment de ministros avance automaticamente quando atingir apoio da maioria da Casa. Em 1º de setembro, Alcolumbre havia citado 109 requerimentos de impeachment contra os integrantes do Supremo e dito que aquilo não era normal. Ele ainda rebateu Flávio Bolsonaro, lembrando que o senador aparece nas investigações ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A crise já ocupa a campanha presidencial. Flávio Bolsonaro, candidato do PL, adotou as acusações contra Moraes como linha de campanha, enquanto o presidente Lula defendeu uma investigação ampla das suspeitas. A cobertura lembra que Flávio é investigado no Supremo desde julho no inquérito sobre repasses de R$ 61 milhões de Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades.
Não há, por ora, leitura de outros veículos sobre o episódio, e a única cobertura dá mais espaço às vozes da oposição do que às de aliados de Alcolumbre.
Ainda não se sabe quando Flávio Dino devolverá o processo, nem como o Supremo decidirá sobre a abertura da investigação contra Moraes. Também não está claro se o grupo de trabalho na Comissão de Constituição e Justiça será de fato criado e se conseguirá entregar a proposta no prazo. A própria Damares admitiu que um eventual impeachment de Moraes não deve ser concluído neste ano e que o tema pode voltar quando os novos senadores tomarem posse, em fevereiro de 2027.