O senador Eduardo Gomes, do Partido Liberal (PL) do Tocantins, vice-presidente do Senado e ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, apontou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, como líder inconteste do campo político da direita. A declaração foi dada em entrevista publicada na madrugada de 30 de outubro, dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial.
Até o momento, apenas um veículo cobriu a entrevista, e ele é classificado como de centro. Nenhum veículo de esquerda e nenhum veículo de direita cobriu o caso no conjunto analisado.
A cobertura de centro relatou que Gomes atribuiu aos governadores, sobretudo aos seis eleitos pelo PL, papel central na reorganização da oposição. Segundo o senador, Tarcísio governa o maior estado do país, foi reeleito em primeiro turno e elegeu os dois senadores de sua chapa. Ele também citou os governadores Sérgio Moro, do Paraná, Jorginho Mello, de Santa Catarina, e Cleitinho, de Minas Gerais. Tarcísio já admitiu a possibilidade de disputar a Presidência em 2030.
Sobre Flávio Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, Gomes evitou dizer se ele conseguirá liderar a oposição à distância ou disputar de novo a Presidência. Afirmou que é um julgamento difícil, porque Flávio saiu do país e ainda não falou sobre o assunto. Disse também que ainda é cedo para apontar os erros da campanha, e mencionou apenas que o segundo turno se concentrou na pauta econômica.
Questionado sobre a carta em que Flávio se declarou presidente eleito e levantou suspeitas de fraude, o senador disse que os erros do texto foram corrigidos pelo próprio autor e que houve reconhecimento do resultado final da eleição. Acrescentou que alegações de fraude ou de uso do poder econômico seguem em debate, mas que há consciência da necessidade de tomar posse dos mandatos e pensar na governabilidade.
No Senado, Gomes informou que o PL fará uma reunião interna na quarta-feira seguinte, aberta a senadores de outros partidos, para discutir a disputa pela presidência da Casa. Rogério Marinho e Tereza Cristina, do Progressistas de Mato Grosso do Sul, já colocaram seus nomes. O senador negou que o partido tenha discutido apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre. Sobre a relação com o novo governo Lula, disse que o PL seguirá na oposição, mas lembrou votações com apoio das bancadas, como o Arcabouço Fiscal, e admitiu espaço para revisar as regras das emendas parlamentares.
Como há uma única fonte, não houve divergência entre lados a registrar. O texto não trouxe resposta do governo Lula nem de outros partidos às declarações.
Até a madrugada de 30 de outubro, quando saiu a matéria analisada, Flávio Bolsonaro não havia se pronunciado sobre seus próximos passos, o PL não havia definido seu candidato à presidência do Senado e o partido não havia concluído a avaliação sobre a derrota.