João Roberto Martins Filho diz que bolsonarismo dispensa apoio dos militares
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O cientista político João Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de São Carlos, afirma que o bolsonarismo ganhou força eleitoral suficiente para não depender mais das Forças Armadas, nem para eleger candidatos nem para governar. Ele avalia que a experiência no governo de Jair Bolsonaro foi negativa para os militares e que a distância atual tende a se manter mesmo numa eventual presidência de Flávio Bolsonaro.
Pela ótica da direita, o fato central é a força eleitoral própria do movimento bolsonarista, que não depende de tutela militar e se sustenta pelo voto. A entrevista também registra que os militares mantêm visão favorável aos Estados Unidos e desconfiança em relação à China, e que o governo Lula não definiu prioridades de defesa.
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Não há cobertura de lados opostos. As duas versões, ambas de centro, coincidem em que 6.157 militares ocuparam cargos no governo Jair Bolsonaro e que o entrevistado vê a experiência como negativa para as Forças Armadas.
O cientista político João Roberto Martins Filho, da Universidade Federal de São Carlos, afirma que o bolsonarismo se fortaleceu a ponto de dispensar os militares. Leia o que ele diz sobre o governo de Jair Bolsonaro, a eventual presidência de Flávio Bolsonaro e a relação das Forças Armadas com Lula.
Até o momento, a cobertura reunida sobre o tema vem de veículos de centro, em duas versões de uma mesma entrevista, e não houve cobertura própria de veículos de esquerda ou de direita neste conjunto. A entrevista é com o cientista político João Roberto Martins Filho, professor titular da Universidade Federal de São Carlos, que estuda há décadas a relação entre militares e política. Sua tese central é que o bolsonarismo se fortaleceu tanto que não precisa mais das Forças Armadas.
A cobertura de centro relatou que, quando Jair Bolsonaro (PL) se elegeu presidente, em 2018, os militares assumiram um papel político que não tinham desde o fim da ditadura, em 1985. Um levantamento do Tribunal de Contas da União apontou que 6.157 militares da ativa e da reserva ocuparam cargos naquele governo. Bolsonaro, capitão reformado do Exército, teve como vice o general Hamilton Mourão e nomeou o general Eduardo Pazuello para o Ministério da Saúde em plena pandemia.
Hoje, segundo a mesma cobertura, os militares estão de volta aos quartéis e os da ativa deixaram de expressar opiniões políticas em público ou nas redes. Martins Filho atribui a mudança ao comando atual do Exército, que prometeu afastar a força da política. Ele ressalva que a mentalidade militar não mudou, e que a votação em Flávio Bolsonaro (PL) entre militares foi muito alta.
Para o professor, a experiência no governo Bolsonaro foi extremamente negativa para as Forças Armadas, que teriam passado por sucessivos constrangimentos até a exposição à tentativa de golpe de Estado. Vários militares estão hoje presos e condenados por articular um golpe para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele defende que a instituição faça autocrítica sobre o envolvimento de seus integrantes em disputas partidárias.
Sobre o futuro, o entrevistado avalia que, mesmo que Flávio Bolsonaro seja eleito, ele tende a não repetir a estratégia do pai de nomear generais para a equipe de governo. Segundo ele, a força eleitoral do movimento reduz a necessidade de buscar apoio na caserna. Martins Filho também disse que uma anistia aos condenados pela trama golpista poderia dividir as próprias Forças Armadas.
No plano externo, o professor afirmou que parte dos militares tem visão favorável aos Estados Unidos e crítica à China. Ele citou uma nota de agosto, assinada pelos três clubes militares, que diz que as retaliações comerciais americanas poderiam ter sido evitadas com uma condução mais técnica e pragmática do governo, discurso parecido com o de Flávio Bolsonaro. Sobre o governo Lula, disse que o presidente não definiu prioridades de defesa e manteve a situação como estava.
Divergências de enquadramento não puderam ser comparadas, porque não há cobertura de lados opostos. O que se pode dizer, com base nos fatos de centro, é que veículos de esquerda tenderiam a enfatizar o risco institucional e a tentativa de golpe, enquanto veículos de direita tenderiam a enfatizar a autonomia eleitoral do bolsonarismo e as falhas da política de defesa do governo. Essas são leituras prováveis, não coberturas efetivas.
O que ainda não se sabe: não há manifestação de militares da ativa, dos clubes militares ou da campanha de Flávio Bolsonaro sobre a análise. Também não está claro se a distância atual entre Forças Armadas e política resistiria a uma mudança de governo ou a uma eventual votação de anistia.
Em entrevista à BBC News Brasil, cientista político João Roberto Martins Filho diz que governo Lula fez militares voltarem aos quartéis e que grupo não deve ter protagonismo em eventual gestão de Flávio Bolsonaro.

A força eleitoral do bolsonarismo pode reduzir a necessidade de aproximação com as Forças Armadas em um eventual governo de
