O advogado Abelardo de la Espriella, candidato de direita do movimento Defensores da Pátria, venceu o segundo turno da eleição presidencial da Colômbia no domingo, 21 de junho de 2026, segundo a apuração preliminar. Com cerca de 99,8% das urnas contadas, ele somou 49,65% dos votos contra 48,70% do senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. A diferença ficou abaixo de 300 mil votos, em um eleitorado de mais de 41 milhões de aptos. Espriella, de 47 anos, nunca havia ocupado cargo eletivo e tomará posse em 7 de agosto, sucedendo o primeiro presidente de esquerda da história do país.
A cobertura de centro relatou os números com base em dados do CNE e do Registro Nacional colombianos, lembrando que o resultado ainda é preliminar. Por lei, a Colômbia inicia na segunda-feira um processo oficial de recontagem, chamado escrutínio, conduzido por comissões de juízes e tabeliães que revisam as cédulas seção por seção. Historicamente, essa checagem nunca alterou o vencedor apontado na pré-contagem. No primeiro turno, realizado em 31 de maio, Espriella já havia liderado, com cerca de 43,78% contra 40,98% de Cepeda.
Veículos de esquerda enfatizaram os riscos de uma eventual gestão de Espriella. Destacaram seu histórico, apontado pela imprensa local, como advogado de paramilitares e de narcotraficantes, e o temor de retrocesso em direitos conquistados por mulheres e por casais homoafetivos, incluindo o direito à adoção. Ressaltaram ainda que sua vitória ameaça o projeto 'Paz Total', de diálogo com grupos guerrilheiros implementado por Petro, e que seu alinhamento com Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele representaria uma virada na política externa colombiana. Cepeda, em contraste, fez campanha pela defesa dos direitos humanos, pela redução da desigualdade e da pobreza e pela taxação dos mais ricos.
Veículos de direita enfatizaram a guinada de rumo após quatro anos de governo de esquerda. Apresentaram Espriella como um outsider que capitalizou a insatisfação com a insegurança e com a economia, prometendo 'mão dura' contra o crime, megapenitenciárias e ampliação do uso das Forças Armadas. Sua plataforma econômica inclui ajuste fiscal com redução de até 25% do tamanho do Estado, corte de impostos para empresas, menor custo de energia e simplificação de regras para o setor produtivo. Analistas citados nessa cobertura apontaram a promessa de ordem e o combate à violência como decisivos para a chegada dele ao Palácio de Nariño.
O ponto de maior divergência está na leitura da contestação. Gustavo Petro afirmou que há 'muitas irregularidades' e que parte das mesas deve ser impugnada, pedindo que ninguém seja declarado presidente antes da contagem final. A cobertura de esquerda tratou a contestação como alerta legítimo sobre a lisura do pleito, enquanto a de direita a apresentou como inconformismo do lado derrotado diante de um resultado claro.
O que ainda não se sabe é o resultado definitivo, que só virá após o escrutínio oficial iniciado na segunda-feira, e o tamanho exato da margem final. Também permanece em aberto se as alegações de irregularidades de Petro terão efeito sobre a homologação e como será a transição até a posse marcada para 7 de agosto.