Irã e Cuba dizem resistir enquanto Estados Unidos ampliam sanções
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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ampliou as sanções contra o Irã, atingindo 60 pessoas físicas, entidades e embarcações, sem incluir bancos chineses suspeitos de intermediar o comércio de petróleo iraniano. O secretário Scott Bessent afirmou que países que seguirem negociando com Teerã podem ser excluídos do sistema financeiro em dólar, mas não fixou prazo nem nomeou alvos. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que o país enfrenta uma guerra econômica, militar e de segurança e que não se renderá. Na mesma semana, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou que a ilha resiste ao aperto das medidas norte-americanas.
Para o enquadramento de esquerda, o que está em curso é uma ofensiva econômica dos Estados Unidos contra dois países que se recusam a alinhar-se a Washington, com custo humano concreto. Miguel Díaz-Canel descreve as sanções contra Cuba como asfixia deliberada, capaz de empurrar a população à ruptura com o governo, e associa as restrições a mais de 98 mil pacientes em fila cirúrgica, 117 mil pacientes oncológicos sem tratamento e 64 mil crianças com imunização atrasada.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Toda a cobertura registra que os Estados Unidos ampliaram as sanções contra o Irã, que o governo iraniano e o governo cubano declararam publicamente que não vão ceder, e que há canais de negociação abertos, com o Paquistão mediando as conversas entre Teerã e Washington.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra 60 pessoas, entidades e embarcações ligadas ao Irã, sem atingir bancos chineses. Teerã prometeu reagir e disse contar com seus parceiros comerciais. Na mesma semana, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a ilha resiste ao aperto econômico norte-americano. A cobertura de esquerda e a de centro leem o mesmo cerco de formas distintas.
Dois governos sob sanções dos Estados Unidos usaram a mesma palavra na mesma semana: resistir. Em Teerã, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Washington falhou no objetivo de provocar o colapso do país e que a nação enfrenta uma guerra de grande escala nos âmbitos econômico, militar e de segurança, sem que isso leve à rendição. Em Havana, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse, em entrevista publicada por um jornal brasileiro, que a ilha segue em pé, lutando, sem se render.
O fato mais recente e mais concreto veio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. O secretário Scott Bessent anunciou na segunda-feira novas sanções contra 60 pessoas físicas, entidades e embarcações ligadas ao Irã. A lista deixou de fora as instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo iraniano. Bessent afirmou que países que continuarem a negociar com Teerã correm o risco de ser excluídos do sistema financeiro baseado no dólar, mas não fixou prazo nem indicou quais governos podem ser alvo. A China respondeu que sua cooperação com o Irã segue o direito internacional e não deve ser interrompida.
A cobertura de centro relatou os desdobramentos com paridade entre as partes. Registrou que o Irã prometeu reagir e disse confiar que seus principais parceiros comerciais resistirão à campanha de pressão; que o chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento iraniano, Abbas Golroo, afirmou ter recebido, por intermédio do chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, uma mensagem norte-americana com o objetivo de retomar o processo político paralisado; e que não houve comentário imediato da Casa Branca nem do Departamento de Estado. Essa mesma cobertura anotou o efeito de mercado: os preços do petróleo caíram pelo segundo dia seguido, enquanto um petroleiro foi atingido por projétil não identificado perto do Estreito de Ormuz, no litoral de Omã. O acordo provisório assinado entre Irã e Estados Unidos em junho fracassou pouco depois, e os ataques retomados bloquearam a maior parte das exportações de energia do Golfo.
Os três textos convergem em pontos básicos: as sanções foram ampliadas, os dois governos afetados declararam publicamente que não vão ceder e há canais de negociação abertos, com o Paquistão atuando como mediador no caso iraniano. Nenhuma cobertura afirma que houve rendição, acordo novo ou retaliação militar direta em resposta ao anúncio do Tesouro.
A divergência começa no significado das medidas. Veículos de esquerda destacaram o custo humano do cerco econômico e trataram as sanções como asfixia deliberada. Nesse enquadramento, Díaz-Canel afirma que o objetivo é acumular privações até provocar uma ruptura da população com o governo cubano, e associa as restrições a mais de 98 mil pacientes em fila cirúrgica, entre eles 12 mil crianças, a mais de 117 mil pacientes com câncer sem tratamento oncológico e a mais de 64 mil crianças com esquemas de imunização atrasados. O mesmo enquadramento rejeita a abertura ao capitalismo como saída e apresenta a resistência como defesa de soberania e autodeterminação.
Não houve, no conjunto analisado, cobertura de veículos de direita. Nesse campo, a leitura provável dos mesmos fatos parte de outro ponto: sanção como instrumento legítimo de pressão sobre regimes que fecham a economia e desestabilizam rotas comerciais, com a escassez em Cuba atribuída ao controle estatal da economia e a crise iraniana associada ao bloqueio das exportações de energia do Golfo e ao fracasso do acordo de junho. A ressalva mais provável seria a de que poupar bancos chineses reduz o efeito prático da medida.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há prazo nem lista de países sujeitos às sanções secundárias, nem definição sobre se instituições financeiras chinesas serão atingidas. Não se conhece a autoria do ataque ao petroleiro perto do Estreito de Ormuz. Também não há confirmação oficial de retomada das negociações entre Teerã e Washington, nem detalhamento verificável dos números de saúde apresentados pelo governo cubano, que não foram checados de forma independente nas matérias analisadas.

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirma que o país não se renderá aos EUA, apesar da "guerra de grande escala" econômica. Teerã denuncia táticas de intimidação.

Miguel Díaz-Canel denuncia ascensão fascista e política de morte adotada pelos EUA, mas ressalta resistência do povo cubano, que “está se preparando para a defesa”
