As quatro maiores empresas estatais federais do Brasil ampliaram fortemente seus contratos de patrocínio em 2025. Segundo levantamento feito a partir das páginas de transparência da Caixa Econômica Federal, da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES, os novos contratos assinados no ano somaram R$ 1,6 bilhão, um aumento de cerca de 52% em relação a 2024, já considerando a correção pelo IPCA. O acréscimo foi de aproximadamente R$ 540 milhões de um ano para o outro.
A Caixa concentrou a maior fatia, com R$ 652 milhões em novos contratos, e respondeu pelo maior acréscimo isolado, R$ 277 milhões a mais que no ano anterior. Em seguida vieram Petrobras, com R$ 528 milhões, Banco do Brasil, com R$ 289 milhões, e BNDES, com R$ 99 milhões. O BNDES registrou a maior alta proporcional, multiplicando por 15 o volume de patrocínios firmados no ano anterior.
Os três lados da cobertura convergem nos números e na destinação principal dos recursos. A cobertura de centro detalhou que os valores se referem a novos contratos assinados, e não ao dinheiro efetivamente desembolsado, já que parte dos acordos é plurianual e prevê pagamentos distribuídos ao longo de vários anos. O esporte foi o principal alvo: a Caixa assinou R$ 160 milhões com o Comitê Paralímpico Brasileiro, R$ 90 milhões com a Confederação Brasileira de Atletismo e R$ 80 milhões com a Confederação Brasileira de Ginástica, enquanto o BNDES fechou R$ 60 milhões com a Confederação Brasileira de Judô. O contrato com o esporte paralímpico cobre o ciclo de preparação para os Jogos de 2025 a 2028 e foi anunciado em cerimônia em São Paulo com a presença do presidente Lula.
É na interpretação política que as coberturas divergem. Veículos de direita enfatizaram que o salto ocorre sob o governo Lula e em período que antecede a eleição de 2026, e destacaram a influência política na gestão das estatais: o presidente da Caixa, Carlos Vieira, foi indicado por parlamentares do centrão do Nordeste, justamente a região onde o banco ampliou o apoio a festas de São João. Para esse enquadramento, a resposta do Palácio do Planalto de que as decisões cabem às próprias empresas não afasta a responsabilidade do Executivo, que controla as indicações e o aval da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Patrocínios acima de R$ 200 mil precisam passar por um comitê consultivo e pela liberação da Secom.
Veículos de esquerda tendem a ler o mesmo movimento como retomada da função social das empresas públicas. Os patrocínios haviam sido reduzidos durante o governo Bolsonaro, e a expansão de 2025 amplia o acesso de atletas e modalidades historicamente sub-financiadas, incluindo o esporte paralímpico e jovens da periferia, além de valorizar eventos culturais populares. O próprio Lula já havia defendido publicamente que as estatais patrocinassem atletas da periferia, e não apenas times campeões. A cobertura de centro relatou de forma factual a alta dos valores, a comparação com o recuo sob o governo anterior e as respostas das quatro estatais e da Presidência, sem atribuir juízo de valor.
As empresas defenderam os contratos. A Caixa atribuiu a variação a acordos plurianuais, cujos valores são registrados integralmente no momento da contratação, mas pagos de forma parcelada. O BNDES afirmou que retomou projetos em 2023 após uma paralisação entre 2020 e 2022 e que os números de 2025 apenas recuperaram patamares anteriores. Petrobras e Banco do Brasil disseram que os patrocínios seguem critérios técnicos e mercadológicos, voltados ao fortalecimento da marca e ao desenvolvimento econômico e social.
O que ainda não se sabe é qual o retorno mensurável desses contratos para as estatais e para o contribuinte, quanto efetivamente será desembolsado a cada ano dentro dos acordos plurianuais, e se haverá fiscalização adicional sobre os critérios de seleção dos projetos patrocinados.