O Estreito de Ormuz, por onde escoa parte decisiva do petróleo consumido no mundo, voltou a operar em ritmo intenso. Na segunda-feira (22), dezenas de navios cargueiros atravessaram a passagem, no maior fluxo registrado desde o início do conflito que opôs Irã, Israel e Estados Unidos no Oriente Médio. A cobertura de centro relatou, a partir de dados de plataformas de monitoramento marítimo, que cerca de 35 navios cruzaram a região naquele dia, sinal de que a rota retoma níveis próximos aos anteriores às tensões.
A reabertura do estreito ocorreu na semana passada, após um acordo entre Teerã e Washington destinado a encerrar a escalada militar. Veículos de centro detalharam que, em meio a negociações realizadas na Suíça e a reuniões em Mascate, capital de Omã, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do país, declarou que o controle da rota 'nunca mais será o mesmo'. Segundo ele, o Irã respeitará as normas internacionais de navegação, mas pretende exercer um papel mais ativo na administração da via. As conversas, segundo o negociador, avançaram em temas como as sanções ao setor petrolífero, o desbloqueio de ativos congelados e a situação no Líbano.
Há convergência entre os diferentes enquadramentos quanto aos fatos centrais: o estreito foi reaberto, o tráfego se normaliza e as partes negociam mecanismos de segurança, incluindo um canal direto de comunicação mediado por Catar e Paquistão para evitar novos incidentes. O chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, defendeu a manutenção de uma navegação segura e sem obstáculos. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que o Irã concordou em receber novamente os inspetores nucleares da AIEA.
As leituras ideológicas, porém, divergem. Veículos de esquerda tendem a apresentar a retomada como prova de que a via diplomática, e não a militar, estabiliza a região, e leem a reivindicação iraniana sobre a rota como afirmação de soberania de um país alvo de ataques e sanções; nesse enquadramento, flexibilizar sanções e desbloquear ativos aliviam a população e reduzem o risco de novas guerras. Veículos de direita, ao contrário, celebram o tráfego recorde por proteger o fluxo de petróleo, mas veem com desconfiança a promessa de Teerã de 'administrar' o estreito: um regime que já bloqueou a passagem ganhar mais controle sobre uma artéria do comércio mundial é tratado como risco geopolítico, e as concessões a Teerã, como alívio de sanções, pedem cautela. Ghalibaf ainda acusou Israel de tentar sabotar o processo diplomático.
O que ainda não se sabe é como, na prática, o Irã pretende exercer esse papel mais ativo sem ferir a livre navegação, qual será a resposta oficial dos Estados Unidos e de Israel a essas declarações e se os acordos sobre sanções, ativos e inspeções nucleares se sustentarão. As próprias fontes reconhecem que o processo está em fase inicial e que há muito trabalho pela frente.