Estados Unidos e Irã trocaram ataques entre o sábado, 18, e a segunda-feira, 20 de julho, na nona noite consecutiva de ofensiva americana contra o território iraniano. O Comando Central dos Estados Unidos afirmou ter lançado uma nova onda de bombardeios contra instalações militares e redes de comunicação, com o objetivo declarado de reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. Explosões foram ouvidas em diversas cidades iranianas, entre elas Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini.
Os ataques ocorrem dias depois da morte de três militares americanos: dois em um ataque a uma base na Jordânia e um terceiro no norte do Iraque, confirmado no sábado. Um soldado chegou a ser dado como desaparecido e, segundo os americanos, restos mortais não identificados foram encontrados, com o processo de identificação ainda em andamento. O presidente Donald Trump declarou que os novos ataques atingiram o Irã com muita força e que a ofensiva foi feita em honra aos soldados mortos.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma descritiva, alternando os comunicados oficiais americanos com as versões das agências iranianas, e registrou os pontos em que as duas partes se contradizem. O Irã afirmou ter respondido com drones contra instalações e equipamentos americanos no campo de Al-Adiri e na Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, além de um ataque surpresa na Síria e de disparos contra aeronaves americanas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia. Kuwait e Bahrein, que abrigam bases americanas, disseram ter interceptado os bombardeios. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois petroleiros explodiram ao tentar cruzar o que chamou de rota sul insegura do estreito, informação contestada pelo Comando Central americano.
A leitura habitual de veículos de esquerda diante de um quadro como esse enfatiza a duração da escalada e o esgotamento da via diplomática: o acordo preliminar de cessação de hostilidades firmado em meados de junho foi declarado encerrado por Trump em 8 de julho, e desde então as negociações para uma paz permanente pouco avançaram, enquanto os bombardeios se tornaram diários e alcançaram cidades em todo o país. Já a leitura característica de veículos de direita coloca o acento na dissuasão e na liberdade de navegação: a Guarda Revolucionária declarou que o estreito não será seguro para o trânsito de produtos petroquímicos, nem para uma única gota de petróleo e gás, enquanto os ataques continuarem, e o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o mundo precisa decidir se vai permitir que uma via navegável internacional fique sob controle de Teerã, acusando o país de usar a rota como moeda de troca. Rubio também disse que os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática.
Há pontos importantes que a cobertura ainda não esclarece. Não há números divulgados de vítimas iranianas, civis ou militares, nem avaliação independente dos danos causados pelas nove noites de ataques. Também não se sabe se os dois petroleiros de fato explodiram no estreito, já que as versões americana e iraniana se contradizem, nem qual é o impacto efetivo sobre o fluxo de petróleo pela rota. Por fim, não está claro se existe canal de negociação ativo entre os dois governos ou em que condições a oferta de solução diplomática mencionada por Washington poderia ser retomada.