Celso Amorim diz que EUA não podem se opor à vitória eleitoral de Lula
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O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que os Estados Unidos não podem se opor ao resultado das urnas, depois da vitória de Lula no segundo turno. Até o momento, o presidente norte-americano, Donald Trump, não se manifestou sobre o resultado, e o Departamento de Estado disse apoiar eleições livres e justas sem se comprometer expressamente a respeitar o resultado.
Pela lente da direita, a fala de Amorim mostra um governo que minimiza a reação de Washington e transfere para as plataformas digitais a responsabilidade por parte do desempenho do adversário. O silêncio de Trump é tratado como fato a ser acompanhado, não como ameaça ao resultado.
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As duas coberturas registram que Amorim minimiza a reação de Washington e que Trump comentou o primeiro turno, mas ainda não se manifestou sobre a vitória de Lula.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que os Estados Unidos não podem se opor ao resultado eleitoral, enquanto Donald Trump ainda não comentou a vitória de Lula no segundo turno. A reportagem compara as coberturas de centro e de direita.
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que os Estados Unidos não podem se opor ao resultado das eleições brasileiras. A declaração veio depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno, realizado em 25 de outubro, e diante do fato de que o presidente norte-americano, Donald Trump, ainda não se manifestou sobre o resultado.
Segundo a cobertura de centro, Amorim disse que não existe reconhecimento de governo e que, a não ser que haja manifestação em contrário, a situação não o preocupa. Ele lembrou que o mundo todo já se manifestou e afirmou que o Brasil é um país independente, que terá boas relações com os Estados Unidos, mas que isso depende também do que Washington fizer. A mesma cobertura registrou que o Departamento de Estado disse apoiar eleições livres e justas, mas não assumiu expressamente o compromisso de respeitar o resultado das urnas, em resposta a parlamentares democratas que pediram garantias. O presidente do Chile, José Antonio Kast, telefonou para Lula, e os presidentes da Bolívia, do Paraguai e do Panamá também o cumprimentaram publicamente.
O contexto é de tensão entre Brasília e a Casa Branca, que envolve sanções a autoridades brasileiras e tarifas comerciais. Trump demonstrou simpatia por Flávio Bolsonaro, mas não declarou apoio explícito a nenhum candidato. Depois do primeiro turno, em 4 de outubro, em que o senador terminou à frente de Lula, ele classificou o resultado como uma grande vitória, apertada, e previu um segundo turno muito acirrado. Também elogiou a rapidez da apuração brasileira e a usou para criticar o sistema eleitoral norte-americano, que chamou de corrupto, sem apresentar provas.
Veículos de direita enfatizaram outro trecho da fala do assessor, em entrevista publicada antes do segundo turno. Nela, Amorim disse que não lhe interessa o que pensa o presidente dos Estados Unidos, e que o que importa é saber como pensa o povo brasileiro e se os interesses nacionais se sobrepõem a pressões estrangeiras, especialmente as das grandes empresas de tecnologia. Essa cobertura destacou ainda que o assessor tem alertado para a influência das plataformas digitais e dos algoritmos sobre o processo eleitoral, citando a alegação de que a Meta teria favorecido o candidato do PL. A reportagem não traz resposta da empresa nem da campanha de Flávio Bolsonaro.
A cobertura de centro, por sua vez, deu mais peso à dimensão diplomática. Registrou a fala de Amorim de que o Brasil é uma fortaleza da democracia progressista da América Latina, voltada à justiça social e ao combate ao crime por meios apropriados, e de que o país não é colônia. Mencionou ainda a leitura da imprensa internacional de que a reeleição de Lula funciona como freio à guinada à direita na região e como revés para Trump.
Até o momento, nenhum veículo de esquerda tratou do tema entre as fontes reunidas, de modo que não há um enquadramento próprio desse campo a relatar.
O que ainda não se sabe é se Trump ou a Casa Branca vão reconhecer publicamente a vitória de Lula, como o governo norte-americano responderá às declarações de Amorim e se as sanções e tarifas em vigor serão mantidas ou revistas depois do resultado. Também não há detalhamento sobre a alegação envolvendo a Meta, que aparece apenas como afirmação atribuída ao entorno do governo.
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