Treze ministros aposentados e ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal enviaram na noite de 7 de setembro de 2026 uma carta ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. No texto, curto e sem citar nomes de ministros em exercício, eles afirmam ter plena confiança na seriedade e na firmeza de Fachin e dizem esperar que ele convoque, com urgência, uma sessão pública para que o plenário determine apuração imediata e rigorosa dos fatos que, segundo o documento, vêm comprometendo o prestígio e a autoridade do tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas.
Assinam a manifestação Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. Ministros de aposentadoria mais recente, como Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, não estão na lista. Celso de Mello, que integrou o Supremo de 1989 a 2020, enviou ainda uma carta individual à imprensa na qual afirma que a moção não trata de episódio específico e sustenta que nenhuma autoridade está acima da lei nem pode invocar a dignidade do cargo para escapar do escrutínio público.
A cobertura de centro concentrou-se em reconstituir o encadeamento dos fatos. A crise escalou em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. O material trata do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro; uma das apurações do dia registra pagamento de R$ 80 milhões ao escritório. A análise de metadados indicou que o contrato foi editado pelo próprio magistrado, e o escritório informou que seu setor de compliance consultou Moraes sobre eventuais impedimentos legais. Em 3 de setembro, Moraes reagiu e pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news; no dia 4, Fachin retirou esse pedido do inquérito e afirmou que a resposta seria firme e rigorosa, sem precipitação.
Veículos de direita deram à carta o tom de cobrança por prestação de contas. Um deles descreveu o episódio como escândalo em curso e destacou a exigência de que o Supremo responda ao país em sessão aberta. Outro publicou a íntegra do documento sob chamada de urgência, sem reconstituir a origem da crise nem registrar a versão do ministro citado. Uma terceira análise desse campo sustentou que Fachin vem postergando as decisões e afirmou, sem fonte nomeada, que uma ala do tribunal, o Palácio do Planalto e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociam preservar Moraes até depois da eleição. Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do episódio até o fechamento desta edição, de modo que o contraponto que costuma vir desse campo, a preocupação com o uso político da crise para enfraquecer o tribunal em ano eleitoral, não aparece no material disponível.
O que ainda não se sabe é o essencial. Fachin não decidiu como tratará os dois pedidos recíprocos de investigação, e o prazo aberto para as manifestações de Moraes, de Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, vai até 11 de setembro. Não há data marcada para a sessão pública que os ex-ministros pedem, nem definição sobre a validade da investigação da Polícia Federal, cuja nulidade foi requerida pela Procuradoria-Geral da República. Também não se sabe se o plenário aceitará abrir investigação formal sobre um de seus integrantes, nem como o tribunal, descrito como dividido, se comportará nessa votação.