Governo Lula vê provocação em Operação Elli, que a PF liga a deusa nórdica
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O centro da história não é o nome da operação, e sim o que a investigação apura: se o filho do presidente da República usou o parentesco para abrir portas do governo federal a interesses privados. A Polícia Federal apura tráfico de influência e lavagem de dinheiro, o Supremo Tribunal Federal autorizou três inquéritos distintos, e mensagens extraídas do celular da empresária Roberta Luchsinger indicam tratativas comerciais com órgãos públicos, incluindo o Ministério da Saúde, além de preocupação em evitar exposição pública do nome de Fábio Luís Lula da Silva. Nessa leitura, transformar a escolha da palavra Elli em escândalo é desviar o foco e pressionar a corporação: a reação do Palácio do Planalto a um nome, e a ameaça de investigar quem investiga, sinaliza incômodo com o avanço da apuração sobre o núcleo familiar do presidente, não com a lisura do procedimento.
A Polícia Federal batizou de Elli uma das fases da investigação que apura suspeitas de tráfico de influência e lavagem de dinheiro envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Nesta matéria: falácia identificada.
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Todos os enquadramentos reconhecem que o nome Elli gerou desconforto no Palácio do Planalto, que a defesa de Fábio Luís Lula da Silva pediu explicações à Polícia Federal e que a apuração nasceu como desdobramento das investigações sobre descontos ilegais em aposentadorias do INSS, com quebra de sigilo do filho do presidente e da empresária Roberta Luchsinger.
O batismo de uma fase da investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva virou disputa política em Brasília. Aliados do presidente leram Elli como recado cifrado ao Faz o L; na cúpula da Polícia Federal, a explicação é a deusa nórdica que personifica a velhice, referência aos idosos lesados no esquema do INSS que originou a apuração.
O nome escolhido pela Polícia Federal para uma das fases da investigação que mira Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virou assunto político em Brasília. A linha de apuração foi batizada de Elli, e a palavra foi lida por aliados do presidente e por integrantes do Palácio do Planalto como referência velada ao gesto 'Faz o L', bordão das campanhas petistas desde 2022 e depois apropriado por opositores em tom crítico ao governo.
A investigação apura suspeitas de tráfico de influência e de lavagem de dinheiro e nasceu como desdobramento da Operação Sem Desconto, que revelou o esquema de descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS. A apuração levou à quebra dos sigilos de Fábio Luís e da empresária Roberta Luchsinger, apontada nos autos como lobista e descrita como amiga pessoal do filho do presidente. O Supremo Tribunal Federal autorizou três inquéritos distintos sobre condutas atribuídas a Fábio Luís e a pessoas do seu círculo: dois estão sob relatoria do ministro André Mendonça e um com o ministro Flávio Dino. A apuração corre sob sigilo, e a defesa nega qualquer irregularidade.
A cobertura de centro relatou o elemento que muda a leitura do episódio. Segundo apuração junto à cúpula da corporação, Elli é, na mitologia nórdica, a deusa que personifica a velhice e que derrotou Thor numa disputa de forças, tratada como símbolo da resistência dos idosos, justamente o público lesado pelo esquema do INSS. Essa justificativa estaria registrada nos sistemas internos da Polícia Federal desde a abertura da investigação, embora não tenha entrado nos comunicados públicos da instituição. A mesma cobertura lembrou que operações anteriores já foram batizadas com nomes de divindades nórdicas e gregas, e citou um integrante da cúpula para quem o caso foi apenas uma 'coincidência infeliz'.
Veículos de direita enfatizaram o conteúdo da investigação, e não a controvérsia semântica. Descreveram o pedido de abertura de inquérito enviado ao Supremo, a hipótese de sociedade oculta entre o filho do presidente e a empresária, mensagens extraídas do celular dela que tratam de negócios com o poder público, inclusive com o Ministério da Saúde, e trechos em que os interlocutores discutem como evitar a exposição pública do nome de Fábio Luís. Uma dessas mensagens, em que Roberta afirma que o futuro dos dois seria 'na Suíça', passou a integrar o material analisado. Essa cobertura também registrou outra hipótese para o nome, ligada a um termo de origem hebraica, e sustentou que a reação do Planalto revela desconforto com o avanço da apuração sobre o núcleo familiar do presidente.
A cobertura de esquerda está ausente do conjunto de reportagens analisado, e os argumentos que costumam vir desse campo aparecem aqui de forma indireta, pela voz da defesa e de aliados do presidente reproduzidos pelos demais veículos. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou a escolha do nome como perseguição e disse que pedirá explicações formais sobre a origem da denominação. Em outra entrevista, foi além: afirmou ver na palavra uma provocação possivelmente criminosa e atribuiu o episódio a setores da corporação que estariam atuando sob interesses político-eleitorais, com ressalva expressa de respeito ao diretor-geral, Andrei Rodrigues. A defesa também contesta a força probatória das mensagens, alegando não ter tido acesso a informações suficientes sobre a cadeia de custódia do material.
A divergência de fundo é sobre onde está o problema. Para a leitura que parte do entorno presidencial, o batismo antecipa um veredito e contamina a apuração com o calendário eleitoral. Para a leitura crítica ao governo, a discussão sobre o nome funciona como manobra para deslocar o foco das evidências reunidas até aqui. A cobertura de centro fica entre as duas versões e conclui que a explicação existia, mas não foi comunicada a tempo, num momento político em que qualquer silêncio institucional é preenchido por suspeita.
Ainda não se sabe o essencial. A Polícia Federal não se pronunciou oficialmente sobre a escolha do nome, e não há confirmação de que tenha recebido pedido formal de esclarecimento ou de que tenha explicado o caso ao presidente e a seus aliados. Também não há, segundo os próprios investigadores, comprovação de que Fábio Luís tenha se beneficiado das articulações relatadas nem recebido vantagem financeira.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou que pretende

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