O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou para quarta-feira, 26 de agosto, uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para tentar destravar as pautas que o Palácio do Planalto quer aprovar antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. No pacote estão a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho, a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos e das terras raras e a medida provisória que suspendeu a chamada taxa das blusinhas, cobrança de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, cerca de 258 reais.
A cobertura de centro relatou que a reunião foi viabilizada pela reaproximação entre Lula e Alcolumbre, ocorrida em 12 de agosto, depois de meses de tensão provocada pela rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. Em entrevista de televisão no domingo, 23 de agosto, Lula chamou Alcolumbre de amigo e afirmou que o fim da taxa das blusinhas seria anunciado na quarta-feira. Essa mesma cobertura registrou que a medida provisória perde a validade em 8 de setembro e que, sem votação, a cobrança volta a valer a menos de um mês da eleição. A comissão mista que deve analisar o texto teve a instalação adiada duas vezes e está prevista para 1º de setembro, sem definição sobre quem a presidirá e quem será o relator. No Senado, a proposta que acaba com a escala 6x1 ficou com o relator Omar Aziz na Comissão de Constituição e Justiça, e a PEC da Segurança Pública com o senador Rogério Carvalho.
Há convergência entre os veículos analisados sobre os pontos objetivos: o calendário é apertado, as atividades do Congresso praticamente pararam por causa da campanha e as votações estão concentradas na janela entre 31 de agosto e 4 de setembro, quando deputados e senadores interrompem a agenda eleitoral. Também há concordância de que as propostas têm efeito eleitoral, porque devolvem ao governo pautas populares às vésperas do voto.
A divergência aparece no diagnóstico. Veículos de direita enfatizaram o isolamento do Executivo no Legislativo: levantamento publicado por essa cobertura aponta que 68% das medidas provisórias editadas caducaram no primeiro semestre de 2026, 13 de 19 textos, o pior desempenho desde a Emenda Constitucional 32, de 2001, contra 52% no governo Jair Bolsonaro, 42% em Michel Temer e 28% em Dilma Rousseff. Nessa leitura, a caducidade virou tática deliberada da oposição e do Centrão para enterrar propostas sem votação nominal, e o Planalto perdeu poder de barganha desde que as emendas parlamentares passaram a ser obrigatórias. O caso mais citado é a medida provisória 1.303, de taxação de aplicações financeiras, que caducou em fevereiro e abriu um rombo de 17 bilhões de reais no Ministério da Fazenda. Os especialistas ouvidos nessa cobertura tratam a omissão do Congresso como trabalho legislativo legítimo.
Veículos de esquerda não cobriram o episódio no conjunto analisado. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, é a de que o Legislativo trava a redução da jornada de trabalho e a taxação de aplicações financeiras enquanto acelera o que interessa ao setor empresarial. A articulação de empresários para impedir a votação da medida provisória da taxa das blusinhas, registrada pela cobertura de centro, indicaria quem perde com o barateamento das compras internacionais de baixo valor.
A análise institucional publicada no período acrescenta um terceiro ator. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que emendas parlamentares cuja destinação tenha passado por indicação de presidentes de partido sejam consideradas juridicamente inidôneas, o que amplia a pressão sobre o Congresso justamente na semana em que o governo tenta aprovar sua pauta.
Ainda não se sabe se a proposta que acaba com a escala 6x1 apenas avançará na comissão ou irá a plenário, quem presidirá a comissão mista da medida provisória, se o texto será votado antes de 8 de setembro e qual será o efeito prático da decisão sobre emendas depois das eleições.