Duas pesquisas eleitorais divulgadas em 24 e 25 de agosto de 2026 desenharam disputas ao Senado em estágios opostos. No Rio Grande do Sul, o levantamento do Real Time Big Data mostrou cinco candidatos tecnicamente empatados na briga pelas duas vagas do estado. Em Mato Grosso, a pesquisa do Paraná Pesquisas apontou vantagem folgada do ex-governador Mauro Mendes, do União Brasil, com a deputada estadual Janaina Riva, do MDB, na segunda posição.
No cenário gaúcho, o deputado Marcel Van Hattem, do Novo, aparece com 20%. A ex-deputada Manuela D'Ávila, do PSOL, tem 19%. O deputado Ubiratan Sanderson, do PL, marca 17%. O deputado Paulo Pimenta, do PT, e o ex-deputado Germano Rigotto, do MDB, somam 15% cada. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os cinco se cruzam em alguma medida e nenhum deles pode ser dado como favorito. O instituto ouviu 1.600 pessoas entre 20 e 24 de agosto, com nível de confiança de 95%. Os percentuais consolidam a primeira e a segunda opção de voto, porque neste ano o eleitor escolhe dois senadores. Separados os votos, Van Hattem e Manuela D'Ávila empatam em 23% na primeira escolha, enquanto Sanderson lidera a segunda, com 18%.
Em Mato Grosso, o quadro é outro. O Paraná Pesquisas ouviu cerca de 1,5 mil eleitores entre 21 e 23 de agosto, com margem de erro de 2,6 pontos e registro na Justiça Eleitoral sob o número MT-02157/2026. Mauro Mendes soma 52,3% e Janaina Riva, 33,7%. Atrás deles vêm José Medeiros, do PL, com 18,8%, Pedro Taques, do PSB, com 16,5%, e Carlos Fávaro, do PSD, com 14,6%. O mesmo levantamento mediu a corrida pelo governo estadual e encontrou empate técnico: Otaviano Pivetta, dos Republicanos, tem 39% contra 35% de Wellington Fagundes, do PL. A diferença se mantém na simulação de segundo turno, com 44,3% para Pivetta e 40,8% para Fagundes.
Os três textos convergem no essencial. A cobertura de centro, que dá o tom predominante do conjunto, ateve-se aos percentuais, ao período de campo, ao tamanho da amostra e à margem de erro, sem adjetivar candidatos nem antecipar resultados. Nenhum dos veículos contesta os números do outro, e os dois institutos aparecem identificados com sua ficha técnica.
A divergência está no recorte. Veículos de direita abriram espaço para a disputa estadual mato-grossense por inteiro, incluindo o cenário espontâneo, em que 65,2% dos entrevistados não souberam responder, e os índices de rejeição, nos quais Wellington Fagundes lidera com 25,7%, seguido por Doutora Natasha, do PSD, com 19,3%, e pelo próprio Pivetta, com 16,3%. Também publicaram a corrida gaúcha nome a nome, incluindo os candidatos que pontuam zero. Veículos de esquerda concentraram a cobertura na dianteira de Mauro Mendes e na posição de Janaina Riva como favorita à segunda vaga, deixando de fora a rejeição, o cenário espontâneo e a disputa pelo governo do estado medidos no mesmo levantamento. O efeito prático é que o leitor de cada recorte sai com uma leitura diferente do mesmo campo de pesquisa: um quadro de competição aberta com desgastes medidos, ou um quadro de vaga praticamente decidida.
O que ainda não se sabe é considerável. A cobertura da pesquisa gaúcha não informa quem contratou o levantamento nem o número de registro na Justiça Eleitoral, dado que aparece apenas no caso mato-grossense. Nenhum dos textos apresenta série histórica que permita ver tendência, de modo que não há como afirmar quem sobe e quem desce. Não há reação dos candidatos citados nem dos partidos. Também não foram divulgados os cenários de governo do Rio Grande do Sul, nem eventuais simulações de segundo turno naquele estado. Como o eleitor terá dois votos para o Senado em 2026, a forma como as duas escolhas se distribuem entre os candidatos empatados segue sendo a variável decisiva e ainda não resolvida pelos levantamentos publicados.