A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social recuou a cerca de 1,8 milhão de requerimentos em junho de 2026, o menor patamar em 21 meses, desde setembro de 2024. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, dia 30, durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, em Brasília, e divulgados pelo Ministério da Previdência Social.
A cobertura de centro relatou os números com sobriedade e contexto histórico. O G1 registrou que a fila chegou a 1,831 milhão de pedidos em junho, ante um recorde de 3,128 milhões alcançado em fevereiro, e lembrou que o piso anterior, de setembro de 2024, era de 1,771 milhão. Segundo essa cobertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fixou a meta de zerar a fila de espera até setembro deste ano, uma promessa feita já na posse, em 2023. O Ministério da Previdência entende que zerar a fila significa acabar com o estoque de requerimentos parados há mais de 45 dias.
Há pontos que todas as coberturas convergem. O estoque atual é de 1,8 milhão de pedidos, dos quais aproximadamente 825 mil aguardam análise há menos de 45 dias, 555 mil estão parados há mais tempo e cerca de 451 mil dependem de alguma providência do próprio segurado, como apresentação de documentos. O tempo médio para conclusão de um requerimento é de 50 dias. Entre janeiro e maio de 2026, as reclamações registradas na Ouvidoria sobre demora caíram 44%, de 14.491 para 8.047 ocorrências. O instituto tem concedido em média cerca de 700 mil benefícios por mês, com recorde histórico de 890 mil concessões em março.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão do direito e da presença do Estado. A reportagem reproduziu a fala do diretor de Benefícios do INSS, Leonardo Bittencourt, para quem o compromisso não é apenas reduzir a fila, mas reduzir o tempo de espera das pessoas, porque atrás de cada requerimento existe um cidadão que precisa da proteção do Estado. Nesse enquadramento, a melhora aparece como fruto do reforço da máquina pública: a nomeação de 300 novos analistas do Seguro Social, o reforço com 500 novos peritos médicos federais, a ampliação de mutirões nacionais de perícia e a expansão da perícia por telemedicina em localidades com escassez de especialistas, além do uso do Atestmed para análise documental.
O ângulo que veículos de direita tendem a enfatizar é o do saldo ainda pendente e da eficiência. Mesmo com a queda, 1,8 milhão de pessoas seguem à espera, e a meta de zerar o estoque até setembro parece distante quando se lembra que a própria fila havia disparado a 3,128 milhões em fevereiro, sob a mesma gestão. A leitura de accountability observa que a promessa de zerar a fila data da posse de 2023 e só agora mostra resultado parcial, e que a contratação de servidores tem custo permanente para o contribuinte. A redução do prazo interno de análise do Programa de Gerenciamento de Benefícios, de 45 para 30 dias, é apresentada pelo governo como ganho de produtividade da autarquia.
O que ainda não se sabe é se a trajetória de queda será suficiente para cumprir a meta de setembro. As fontes não detalham quantos dos 555 mil pedidos parados há mais de 45 dias serão resolvidos até lá, nem qual o custo fiscal consolidado das contratações e mutirões. Também não há dado sobre a sustentabilidade do ritmo de concessões após o pico de março.