O funeral do aiatolá Ali Khamenei, que liderou o Irã por mais de três décadas até morrer aos 86 anos, mobilizou multidões em Teerã no início de julho de 2026. Adiado desde março por causa da guerra, o cortejo fúnebre partiu do complexo religioso da Grande Mosalla e percorreu um trajeto de cerca de dez quilômetros pela capital, com sepultamento previsto para a quinta-feira, 9 de julho, na cidade sagrada de Mashhad, terra natal do líder. As cerimônias, que ainda passariam por Qom e pelo Iraque, foram declaradas feriado nacional para permitir a presença popular.
Há convergência entre todas as coberturas sobre os fatos centrais: o cortejo, a presença das principais autoridades iranianas, como o presidente Massoud Pezeshkian e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e a chegada de delegações de países como Rússia, Turquia, Paquistão, Iraque, China e Índia. Todos os relatos registram também o dado mais comentado da cerimônia: a ausência do herdeiro do título, o novo guia supremo Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde o bombardeio de 28 de fevereiro, ataque que matou seu pai e outros familiares. Pessoas próximas afirmam que ele foi gravemente ferido e está desfigurado.
A cobertura de centro, como a nota da RECORD NEWS, tratou o episódio de forma enxuta e descritiva, registrando a ausência do sucessor e as manifestações contrárias aos Estados Unidos e a Israel sem adjetivação. Já os veículos de esquerda, que republicaram material da teleSUR e da agência francesa RFI, enfatizaram a dimensão histórica e popular do evento, descrito como a maior concentração pública da história moderna do país. Nesse enquadramento, Khamenei aparece como "líder mártir" da Revolução Islâmica, e a multidão que ergue bandeiras iranianas e mensagens de vingança contra Estados Unidos e Israel é lida como expressão de união e resistência anti-imperialista. Relatos de fiéis que se dizem "órfãos" reforçam esse vínculo entre povo e liderança.
A leitura provável de veículos de direita partiria dos mesmos fatos para enfatizar outro ângulo: a fragilidade da sucessão no topo de um regime teocrático. A ausência de um sucessor ferido e desfigurado alimentaria dúvidas sobre a estabilidade da cúpula, e os números oficiais de 15 a 20 milhões de participantes, fornecidos por agências estatais como a Tasnim, seriam vistos com cautela quanto à verificação independente, num contexto em que o Estado decretou feriado para ampliar a presença. As próprias coberturas registram que as cerimônias buscam demonstrar união e força, ocorrendo em meio a negociações com os Estados Unidos após a assinatura de um protocolo de acordo para tentar encerrar o conflito.
O que ainda não se sabe é como se dará, na prática, a transição de poder. Nenhuma das fontes esclarece quando ou se Mojtaba Khamenei aparecerá publicamente, qual a real extensão de seus ferimentos, ou como sua ausência afeta as negociações em curso com Washington. Também permanece sem verificação independente a magnitude exata da mobilização, informada apenas por canais oficiais iranianos.